Morador de Vila Velha que é cego e surdo aprende a tocar violino com apoio de escrita no braço
Max Bernardes utiliza método de escrita tátil no braço para aprender notas musicais e interpretar arranjos em projeto social no ES.
Por Redação Diário Local
Um morador de Vila Velha, no Espírito Santo, está realizando o sonho de aprender a tocar violino por meio de um método de comunicação que ele mesmo criou. Max Bernardes, que perdeu a visão e a audição há 13 anos devido a uma meningite, utiliza notas musicais representadas por números escritos em seu próprio braço para conseguir interpretar os arranjos.
O estudante frequenta há quatro meses as aulas gratuitas do projeto social Estação Leopoldina. Para o aprendizado, ele conta com um instrumento emprestado por uma amiga e utiliza o que chama de "escrita tátil", um sistema que permite a compreensão das instruções musicais através do toque.
A perda da visão e da audição ocorreu quando Max tinha 22 anos. O método de comunicação foi desenvolvido por ele ainda durante a internação no hospital, quando utilizava o raciocínio lógico para tentar interagir com as pessoas ao redor.
No início, o processo de comunicação era feito com o dedo escrevendo no ar, de forma muito ampliada. Com a estabilização do quadro clínico após a saída do hospital, a técnica evoluiu para a escrita no peito ou na barriga e, finalmente, consolidou-se no braço.
Como funciona o método de aprendizado?
Atualmente, o professor Tácito Ribeiro utiliza a técnica para ensinar as notas musicais transformadas em números sobre a pele do aluno. Segundo o instrutor, o processo exige paciência e um ritmo mais lento do que o convencional.
O professor destacou que, embora já tenha lecionado para outros alunos com deficiência, nunca havia atendido uma pessoa com cegueira e surdez simultâneas. Para ele, o fato de o estudante conseguir interpretar o instrumento diante de tais limitações é um grande feito.
Max explicou que, embora não ouça as vozes, ele consegue perceber sons de instrumentos musicais, batidas e ritmos. O estudante afirmou que apenas as vozes humanas soam de forma distorcida para ele.
Planos para o futuro
Apesar de estar nos primeiros passos com o violino, Max já planeja novos objetivos, como concluir o ensino médio e escrever sua própria composição musical. O estudante demonstrou satisfação ao notar que sua história incentiva outras pessoas a explorarem novos horizontes e superarem obstáculos.
