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Meio Ambiente

Falta de preparação de São Paulo causa enchentes, afirma cientista da USP

Especialista aponta que redução de verba para drenagem e falta de áreas verdes agravam os impactos das tempestades na capital.

Por Redação Diário Local

A culpa das enchentes não é da chuva, mas da falta de preparação da cidade para os eventos de chuva forte, afirma o cientista Paulo Artaxo, coordenador do Centro de Estudos Amazônia Sustentável da Universidade de São Paulo (USP).

O especialista criticou a abordagem que foca apenas no clima e aponta a necessidade de investimentos mais estratégicos em áreas como a ampliação de espaços verdes e o treinamento da Defesa Civil. Segundo Artaxo, a capital paulista tem enfrentado desastres relacionados a tempestades em curto intervalo de tempo.

As discussões sobre a gestão de riscos ganharam força após o alagamento do Túnel do Anhangabaú, registrado na última quarta-feira (14), onde veículos ficaram submersos e pessoas ficaram ilhadas. O cientista ressaltou que a ocorrência de chuvas com volumes acima de 80 a 100 milímetros em 24 horas quadruplicou.

O que diz sobre o orçamento e o urbanismo?

Artaxo destacou que a redução de recursos destinados à implantação de sistemas de drenagem e combate a enchentes é um ponto crítico. Conforme a Lei Orçamentária Anual (LOA) do estado, o valor destinado a essas ações caiu de R$ 314,8 milhões em 2025 para R$ 140,8 milhões, uma redução de 55%.

O coordenador da USP também questionou o modelo de planejamento urbano. Ele afirmou que os interesses do setor imobiliário costumam prevalecer na estruturação dos planos diretores, o que contribui para a diminuição das áreas verdes e o aumento da impermeabilização dos municípios.

Para o cientista, não existem soluções individuais que sejam efetivas contra esses eventos, apenas a implementação de políticas públicas robustas e a democratização do desenho das áreas urbanas.

Resposta do Governo do Estado

A Secretaria de Meio Ambiente, Infraestrutura e Logística (Semil) afirmou que o Governo do Estado mantém uma atuação integrada para o combate a enchentes. O governo declarou que possui um plano de R$ 25 bilhões em investimentos em resiliência, que inclui obras de drenagem e reforço da segurança hídrica.

O plano utiliza uma combinação de recursos do orçamento próprio, do Fundo Estadual de Recursos Hídricos (Fehidro) e do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID). A pasta também mencionou a concessão da Sabesp, prevista com R$ 260 bilhões em investimentos até 2060, e parcerias para o desassoreamento dos rios Tietê e Pinheiros.

Produzido pela redação do Diário Local com apoio de automação editorial, sob curadoria e revisão de Davy Albuquerque, editor responsável.