Tribunal do Júri condena oito réus a mais de 595 anos de prisão por ataque na Ilha do Príncipe
Tribunal do Júri aplicou penas que somam 595 anos de reclusão por crimes ocorridos em 2020, em Vitória.
Por Redação Diário Local
O Tribunal do Júri condenou oito réus a mais de 595 anos de prisão, somadas as penas, por um ataque ocorrido no bairro Ilha do Príncipe, em Vitória, em 2020. A decisão foi baseada em denúncia apresentada pelo Ministério Público do Espírito Santo (MPES), por meio da Promotoria de Justiça Criminal de Vitória.
Os condenados deverão cumprir as penas em regime inicial fechado. Entre os sentenciados está o advogado Lucas Depolo Muniz, que recebeu a pena de 63 anos, 4 meses e 20 dias de reclusão. Lucas foi condenado por homicídio qualificado consumado, duas tentativas de homicídio qualificadas e associação para o tráfico de drogas.
Na sentença de Lucas, foram aplicados aumentos de pena pelo emprego de arma de fogo e pela agravante de violação de dever inerente ao cargo ou profissão. O advogado, no entanto, foi absolvido da acusação de porte ilegal de arma de fogo.
As demais penas aplicadas pelo Tribunal do Júri foram: Geovani de Andrade Bento, com 92 anos e 2 meses; Jhonatan Ribeiro da Conceição, com 79 anos e 4 meses; Tiago Guimarães, com 79 anos, 6 meses e 10 dias; Felipe de Souza Oliveira, com 77 anos, 11 meses e 20 dias; Patric de Oliveira Santos, com 76 anos e 2 meses; Thaian Silva de Almeida, com 68 anos, 8 meses e 20 dias; e Felipe dos Santos Dantas, com 58 anos e 6 meses.
O réu Jefferson Candido Serafim foi absolvido de todas as acusações. Segundo o MPES, o conjunto de condenações também considerou crimes como corrupção de menores e porte ilegal de arma de fogo, conforme a participação de cada envolvido no episódio.
Dinâmica do ataque
O crime ocorreu em 2020, quando criminosos armados com pistolas, espingardas e submetralhadoras entraram no bairro Ilha do Príncipe. O grupo abriu fogo contra homens identificados como integrantes de uma facção rival. Durante a ação, uma vítima morreu no local e outras duas conseguiram sobreviver após serem atingidas por tiros.
De acordo com as investigações, o ataque foi uma tentativa do grupo Primeiro Comando de Vitória de expandir a influência do tráfico de drogas na região. Os envolvidos no crime possuem ligações com essa facção.
As prisões ocorreram menos de 48 horas após o ataque. Com um dos detidos, Felipe dos Santos Dantas, conhecido como "Orelha", os policiais apreenderam um celular com vídeos e fotos que mostravam a dinâmica do tráfico de drogas.
No aparelho, foram encontradas conversas entre criminosos e o advogado Lucas Depolo Muniz. Em um dos diálogos, criminosos perguntavam sobre o estado dos membros da facção após o ataque e o advogado respondia de forma positiva. Em depoimento, Lucas havia negado qualquer envolvimento com o grupo criminoso ou o repasse de recados de presos.
