Defesa de Danilo Morgado nega relação com facção após indiciamento pela Polícia Civil
Ex-candidato do PL teve prisão preventiva pedida pela Polícia Civil no relatório final da Operação Vectura Corrupta
Por Redação Diário Local
A defesa de Danilo Morgado, ex-candidato à Prefeitura de Praia Grande (SP) e a deputado estadual pelo Partido Liberal (PL), negou qualquer relação entre o político e o Primeiro Comando da Capital (PCC). O posicionamento foi divulgado em nota neste domingo (8).
O comunicado ocorre após a Polícia Civil, no relatório final da Operação Vectura Corrupta, indiciar Morgado e solicitar a prisão preventiva do ex-candidato. A investigação também envolveu a prisão do ex-vereador de São Paulo Milton Leite (União).
No relatório enviado à Justiça, o delegado Fabricio Intelizano aponta que Morgado seria beneficiário direto de valores oriundos de organização criminosa. O delegado afirma que o investigado possui alto poder econômico, o que, segundo o documento, colocaria em risco sua permanência no distrito da culpa.
A Polícia Civil afirma que encontrou diálogos que descrevem uma relação de proximidade entre Morgado e Marlon Rosa, apontado como liderança do PCC. De acordo com o relatório, essa relação remonta, ao menos, ao período das eleições de 2020.
Segundo a investigação, as conversas tratam de temas como financiamento eleitoral, apoio de comunidades controladas pela facção, reuniões políticas e articulação de apoios. O documento cita ainda tratativas para a obtenção de recursos de uma dívida milionária de Admarcio Martins de Moraes, que seriam usados para financiamento político.
A autoridade policial também destacou a dificuldade de localizar o ex-candidato. Segundo o delegado, Morgado é considerado uma pessoa de difícil encontro e, em buscas anteriores, não foi localizado em nenhum dos endereços indicados, só podendo ser capturado devido ao trabalho de inteligência policial.
Em resposta, a defesa de Danilo Morgado afirmou que a conclusão policial não encontra correspondência objetiva nos elementos descritos no documento. Os advogados ressaltaram que, após 50 dias de investigação após a deflagração da operação, a polícia não apresentou elementos novos contra o investigado.
Os representantes alegam que o relatório não identifica qualquer transferência bancária, depósito ou entrega de valores destinados a Morgado. A nota sustenta que não há prova de que ele seja beneficiário da organização criminosa nem que exerça funções como tráfico de drogas ou controle de empresas.
A defesa argumenta que relações políticas e contatos pessoais foram convertidos em uma suposta adesão criminosa por meio de inferências, sem demonstração de ato consciente de integração à facção. O grupo jurídico afirmou que confia no rigor técnico do Ministério Público de São Paulo (MPSP) no exame dos autos.
