Diário Local
Investigação

Delegada é investigada por relação íntima e ajuda a líder do PCC no Nordeste

Mensagens extraídas de celular revelam proximidade entre a autoridade policial e investigado, além de suposto recebimento de dinheiro

Por Redação Diário Local

Conversas extraídas do celular de Renato Henrique do Carmo, apontado como liderança do Primeiro Comando da Capital (PCC) no Nordeste, revelaram uma relação de proximidade com a delegada Maria Virgínia Grimwood Pinto, da Polícia Civil do Pará. O casal foi preso na última quinta-feira (15).

Segundo as investigações conduzidas pela Polícia Civil de Pernambuco, a delegada manteria um relacionamento amoroso com o investigado. Além do vínculo pessoal, a autoridade policial é suspeita de oferecer proteção institucional, fornecer informações sigilosas e permitir o acesso a sistemas restritos de segurança pública em troca de vantagens financeiras.

A investigação teve início após a primeira prisão de Renato em janeiro de 2025, quando seu aparelho celular foi apreendido. Com autorização judicial para a extração de dados, os investigadores encontraram registros de mensagens que expuseram a intimidade entre a delegada e o líder criminoso.

Como funcionava a colaboração?

Os diálogos indicam que as conversas começaram em novembro de 2024, por meio de uma conta de WhatsApp identificada como “Deus É Fiel”. Em um dos trechos, o investigado confirma o envio de um Pix de R$ 50 mil para a delegada.

As mensagens também revelam pedidos de suporte operacional e informacional. Em resposta aos pedidos de ajuda de Renato, a delegada afirmou que a parceria seria duradoura. As conversas detalham ainda o planejamento de uma viagem de lazer para janeiro de 2025, com passagens aéreas custeadas pelo investigado.

Movimentações financeiras incompatíveis

A Operação Sinalagma, que fundamenta a investigação, identificou indícios de lavagem de dinheiro e ocultação de patrimônio. Segundo os policiais, os suspeitos utilizavam documentos falsos, empresas e contas de terceiros para movimentar recursos e esconder a origem do dinheiro.

A análise financeira, apoiada em dados do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf), identificou a movimentação de ao menos R$ 14.954.920,02. O montante é considerado incompatível com a capacidade econômica declarada dos envolvidos.

Maria Virgínia foi presa no Setor Hoteleiro Norte, em Brasília, e deve permanecer detida em cela especial da Divisão de Controle e Custódia de Presos (DCCP) da Polícia Civil do Distrito Federal (PCDF). Renato foi detido em um apartamento no bairro de São José, em Recife (PE), onde estava em regime semiaberto.

Produzido pela redação do Diário Local com apoio de automação editorial, sob curadoria e revisão de Davy Albuquerque, editor responsável.