Diário Local
Segurança

Diretor da Transunião será incluído na lista da Interpol por suposta ligação com o PCC

Lourival de França Monário é investigado pelo Ministério Público de São Paulo por suposta ocultação de recursos do tráfico de drogas.

Por Redação Diário Local

O nome do empresário Lourival de França Monário, diretor-presidente da Transunião, será incluído na lista vermelha da Interpol. A medida atende a um pedido de promotores do Ministério Público de São Paulo (MPSP), que investigam supostas ligações da empresa com o Primeiro Comando da Capital (PCC).

Monário é considerado foragido desde o fim de junho, após a Operação Última Parada, deflagrada pelo MPSP e pela Polícia Civil de São Paulo. Segundo as investigações, a Transunião teria sido usada para ocultar recursos do tráfico de drogas por meio de um núcleo paralelo que controlava decisões na companhia.

Esse núcleo teria realizado transferências de valores para integrantes da organização criminosa. De acordo com o MPSP, o capital social da empresa saltou de pouco mais de R$ 100 mil para mais de R$ 50 milhões entre os anos de 2015 e 2019, sem que a origem dos recursos fosse esclarecida.

As investigações apontam que a empresa realizou alterações societárias para elevar o patrimônio e atender aos requisitos de licitação para o transporte público da cidade de São Paulo. O promotor Danilo Pugliesi, um dos responsáveis pela apuração, afirmou que pessoas ligadas ao PCC fizeram aportes para aumentar o patrimônio da empresa.

Segundo o Ministério Público, houve a entrada formal de dinheiro de origem ilícita e não declarada por meio de pessoas que não possuíam lastro financeiro para tais valores. O promotor afirmou que a metodologia utilizada teria sido semelhante à identificada em outras investigações no setor de transportes.

Conexões e outras operações

O circuito financeiro identificado pela investigação apresenta pontos de contato com esquemas de outras frentes, como a Operação Carbono Oculto. Além disso, o caso é citado no contexto da Operação Mafiusi, conduzida pela Polícia Federal (PF), que apura ligações do PCC com a máfia italiana 'Ndrangheta.

As autoridades investigam ainda relações patrimoniais e comerciais entre Monário e Everton de Souza, conhecido como “Player”. Ele é apontado pela Polícia Civil como operador financeiro ligado ao PCC e alvo de investigações que também envolveram o chefe da facção, Marcola.

A inclusão do nome do dirigente na Difusão Vermelha da Interpol tem como objetivo comunicar às polícias dos países-membros que o investigado é procurado para fins de localização. Até o momento, não houve resposta da Transunião sobre o caso.

Produzido pela redação do Diário Local com apoio de automação editorial, sob curadoria e revisão de Davy Albuquerque, editor responsável.