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Investigação

Proprietário da Voepass admite cultura de omissão de falhas técnicas em depoimento à Polícia Federal

José Luiz Felício Filho admitiu à Polícia Federal que diretores da Anac o alertaram sobre o padrão de pilotos que evitavam registrar falhas técnicas.

Por Redação Diário Local

O presidente da Voepass, José Luiz Felício Filho, admitiu em depoimento à Polícia Federal a existência de uma "cultura de omissão" no registro de falhas técnicas na companhia aérea. O empresário revelou que diretores da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) enviaram alertas pessoais a ele, ao longo dos anos, sobre um padrão de conduta de pilotos que evitavam formalizar problemas nos diários de bordo para não reter as aeronaves em solo.

A informação consta no relatório final da Polícia Federal sobre o acidente do voo 2283, ocorrido em 9 de agosto de 2024 (9), em Vinhedo (SP), que matou 62 pessoas. Segundo os investigadores, a omissão deliberada de registros de manutenção foi um elemento central nas causas do desastre aéreo.

Com base nas evidências de que a segurança era prejudicada para garantir a disponibilidade da frota, a Polícia Federal indiciou Felício Filho e outros 15 profissionais pelo crime de atentado contra a segurança do transporte aéreo. O crime ocorre quando alguém expõe uma aeronave a perigo ou dificulta a navegação aérea, com pena agravada pela ocorrência de mortes.

Além do presidente, foram indiciados diretores de operações, manutenção e segurança, além de mecânicos e despachantes operacionais. A Polícia Federal ressaltou que Felício Filho, por ser piloto de formação, tinha consciência técnica da vulnerabilidade do modelo ATR-72 em condições de gelo e era o destinatário das notificações da Anac.

Por que o avião caiu?

Durante o depoimento prestado na segunda-feira (4), Felício Filho admitiu que a aeronave não deveria estar nas condições em que se encontrava no dia do acidente. Ele afirmou que o avião decolou com falhas conhecidas no sistema de degelo para uma região com previsão confirmada de formação de gelo severo.

As investigações da Polícia Federal e do Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos (Cenipa) apontam que a causa da queda foi a perda de controle em voo. O acidente foi provocado pelo acúmulo de gelo, pela inoperância do sistema de degelo da estrutura e pela não execução imediata dos procedimentos de emergência pela tripulação.

Qual a situação da Voepass?

A companhia encerrou suas atividades após sanções da Anac. Em março de 2025, a agência suspendeu as operações da empresa por identificar falhas na gestão de segurança. Em junho de 2025, a Anac cassou definitivamente os certificados de operador aéreo e de organização de manutenção da Voepass.

Atualmente, o grupo passa por um processo de reestruturação para quitar dívidas, incluindo débitos trabalhistas. Em nota, a Voepass afirmou que a segurança operacional sempre foi sua prioridade e que a tripulação do voo 2283 era composta por profissionais experientes e habilitados. A empresa disse que colaborou com as autoridades e que aguarda os desdobramentos processuais.

Produzido pela redação do Diário Local com apoio de automação editorial, sob curadoria e revisão de Davy Albuquerque, editor responsável.