Duplo homicídio em Rochedo com execução transmitida ao vivo expõe avanço de facções no MS
Tortura e morte de duas jovens em cidade de 5 mil habitantes revelam controle de facções e necessidade de reforço nas fronteiras.
Por Redação Diário Local
Duas jovens foram torturadas por cerca de cinco horas e mortas em Rochedo, município com pouco mais de 5 mil habitantes em Mato Grosso do Sul, com a execução transmitida ao vivo para integrantes de uma facção criminosa.
O crime, que choca pela brutalidade e pelo método de demonstração de poder, envolveu as vítimas Ellen Vitória Moreira da Cruz e Vitória Gabriely Souza Cordeiro. Segundo apurações, os criminosos agiram sob ordens e mantiveram contato constante com superiores para transmitir o ato.
As forças de segurança realizaram intervenções no caso. Dois suspeitos foram detidos e um terceiro morreu após uma abordagem policial em decorrência dos fatos.
O avanço do crime organizado no interior
O episódio em Rochedo é apontado como um reflexo da capilaridade das organizações criminosas no interior do estado. O método de realizar execuções via videochamada para membros da facção já havia sido registrado em outro município sul-mato-grossense, em Pedro Gomes, onde um jovem foi morto em um suposto “tribunal do crime”.
A atuação das facções envolve o recrutamento de membros, movimentação de dinheiro, disputa de territórios e a imposição de punições próprias, criando um cenário onde o medo substitui a presença estatal em diversas localidades.
Desafios de segurança nas fronteiras
O controle das organizações criminosas em Mato Grosso do Sul enfrenta dificuldades devido à localização geográfica do estado, que faz fronteira com o Paraguai e a Bolívia. Essas áreas são rotas utilizadas para o abastecimento de mercados ilegais que sustentam as facções.
Embora a legislação permita que as Forças Armadas patrulhem a faixa fronteiriça, revistem veículos e efetuem prisões em flagrante por crimes transfronteiriços, há um debate sobre a necessidade de uma presença mais efetiva e coordenada entre os militares, a Polícia Federal, a Receita Federal e as forças estaduais.
A análise do caso indica que, para desmantelar a estrutura criminosa, é necessário focar na interrupção da cadeia de comando, no corte do fluxo financeiro e no impedimento do acesso a armas e drogas, indo além das prisões de executores isolados.
