El Niño pode ser o mais forte já observado e ter impacto inédito desde o século XIX, afirma órgão do Reino Unido
Projeções indicam que o aquecimento no Pacífico equatorial pode atingir patamares inéditos, superando a média em mais de 3°C ainda este ano.
Por Redação Diário Local
O fenômeno El Niño em formação deve ser o mais forte já observado e terá, provavelmente, o maior impacto climático desde o século XIX, informou o Met Office, serviço nacional de meteorologia do Reino Unido, nesta sexta-feira (21). Projeções indicam que as temperaturas da superfície do mar no Pacífico equatorial podem subir mais de 3°C ainda este ano, um patamar inédito nos registros que remontam a 1950.
Em um evento típico, a elevação da temperatura costuma variar entre 1°C e 2°C. O patamar atual, com projeção superior a 3°C, já é classificado como um evento de grande magnitude. Alguns grupos climáticos chegam a projetar uma anomalia de até 4°C acima da média.
De acordo com Adam Scaife, chefe de previsão de longo prazo do Met Office, se as previsões se confirmarem, o ano de 2026 deve exceder largamente a experiência recente do fenômeno e suas influências globais. Com essa intensidade, o órgão avalia que o ano de 2027 tem grande probabilidade de substituir 2024 como o ano mais quente já registrado.
“Devemos deixar claro que este é um evento sem precedentes”, afirmou Scaife. Segundo o especialista, ele nunca observou sinais de um El Niño tão intenso em previsões meteorológicas anteriores.
O que é e o que causa o El Niño?
O fenômeno é resultado do aquecimento recorrente da superfície do mar no Pacífico oriental, desencadeado pelo enfraquecimento dos ventos alísios. O ciclo ocorre periodicamente, a cada dois ou sete anos, e costuma durar entre nove e 12 meses.
Cientistas declaram o evento quando a temperatura na região-chave do Pacífico supera a média em pelo menos 0,5°C. No cenário atual, um fator adicional intensifica a previsão: temperaturas cerca de 8°C acima do normal a 100 metros de profundidade, o que funciona como uma reserva de água quente para o fenômeno.
Riscos de secas e inundações no mundo
Os impactos globais podem ameaçar colheitas em diversas regiões. As projeções indicam riscos de secas e incêndios na Austrália, além de possíveis inundações no Peru, no Equador e no sul dos Estados Unidos. No Sul da Ásia, já foram registrados sinais de monções abaixo do normal.
Historicamente, o fenômeno tem causas severas, como ocorreu em 2016, quando milhões de pessoas no Chifre da África foram afetadas por seca extrema. No Caribe e no Atlântico tropical, alterações nos ventos podem até reduzir a atividade de furacões.
O que muda com o fenômeno no Brasil
No território brasileiro, a tendência é de alteração nos regimes de chuva. O El Niño tende a elevar os volumes de precipitação na região Sul, enquanto reduz as chuvas nas regiões Norte e Nordeste.
Quanto ao calor, o Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) apontou que as previsões para agosto indicavam temperaturas acima da média histórica em grande parte do país, reforçando o cenário de aquecimento observado no período.
