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Investigação

Empresa de wi-fi em SP transferiu R$ 1,8 milhão para empresas de líderes evangélicos

Documentos da Polícia Civil mostram transferências sem nota fiscal da Favela Conectada para empresas vinculadas a líderes religiosos.

Por Redação Diário Local

Documentos apreendidos pela Polícia Civil de São Paulo revelam que a empresa Favela Conectada, que presta serviços de internet, transferiu R$ 1,8 milhão para empresas ligadas a líderes evangélicos sem a apresentação de notas fiscais. A investigação ocorre no âmbito de um contrato de fornecimento de Wi-Fi para a periferia da capital paulista.

Os repasses foram destinados às empresas Audaxia Serviços de Pagamento e BCS Intermediações LTDA, que pertencem ao mesmo grupo econômico sediado em Palmas (TO). As companhias possuem vínculos com lideranças religiosas, incluindo o ex-presidente da organização Família do Amor Church e o presidente da Igreja Aliança Evangélica PMW.

De acordo com a documentação encontrada na sede da Favela Conectada, as movimentações financeiras ocorreram em julho de 2025. Após receber R$ 2 milhões do Instituto Conhecer Brasil (ICB) no dia 7 de julho, a empresa realizou uma série de transferências com valores redondos para as empresas vinculadas ao grupo de Palmas.

Entre os registros, constam pagamentos de R$ 60 mil, R$ 250 mil e R$ 500 mil. A Polícia Civil identificou que, apesar dos montantes expressivos, não há notas fiscais que expliquem ou justifiquem tais transações. As empresas Audaxia e BCS já estavam com as atividades encerradas nas redes sociais quando receberam os valores.

A investigação também apontou uma discrepância nos custos de manutenção dos pontos de internet. A Favela Conectada, que atua como terceirizada do ICB, subcontratava servidores de internet por custos médios entre R$ 100 e R$ 150 por ponto. No entanto, o contrato previa pagamentos mensais de R$ 512,93 por cada um dos 2.000 pontos de internet previstos.

A empresa Favela Conectada pertence a Alex Leandro Bispo dos Santos. Ele é investigado por feminicídio e suspeito de ser membro da organização criminosa PCC. Santos estava preso, mas foi solto e, quando uma nova ordem de prisão foi expedida, já se encontrava na condição de foragido.

Os documentos apreendidos pela polícia incluem ainda faturas de valores variados, que vão de R$ 100 a R$ 15 mil, abrangendo gastos com material de escritório e vale-transporte de funcionários. A análise detalhada foca no período que envolve os meses de junho e julho de 2025.

A Audaxia e a BCS, atualmente integradas à Soberano Sociedade de Crédito, não possuem autorização do Banco Central para operar no sistema financeiro, embora a primeira se apresentasse como plataforma de vendas de cursos online.

Produzido pela redação do Diário Local com apoio de automação editorial, sob curadoria e revisão de Davy Albuquerque, editor responsável.