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Empresário que organizou o próprio velório em vida morre em Campo Grande

Tiago Pitthan, de 49 anos, faleceu em decorrência de um câncer de estômago após ganhar notoriedade ao celebrar sua trajetória em vida

Por Diário Local

O empresário Tiago Martins Pitthan, de 49 anos, morreu no último domingo (6/7) em um hospital de Campo Grande (MS). A morte foi causada por um câncer de estômago em estágio avançado, após o paciente publicar um vídeo de despedida nas redes sociais expressando estar em paz.

Diagnosticado com adenocarcinoma gástrico em março de 2024, Pitthan ganhou notoriedade nacional por decidir organizar o próprio velório ainda em vida. A celebração ocorreu no dia 30 de maio, permitindo que ele ouvisse as homenagens de amigos e familiares antes do falecimento.

No registro final gravado no leito hospitalar, o empresário declarou que teve uma vida boa e que se sentia vitorioso. "Tudo valeu a pena. Eu venci", afirmou o paciente, que utilizou as redes sociais para tranquilizar seguidores e familiares sobre seu estado emocional.

A cerimônia de despedida, realizada em um galpão na capital sul-mato-grossense, foi planejada para ser uma celebração da história de vida de Pitthan. O evento contou com apresentações de bossa nova, samba e rock, além de intervenções artísticas como um quadro pintado em tempo real.

Um dos momentos marcantes da celebração foi quando o empresário subiu ao palco para tocar guitarra. O instrumento era uma nova habilidade que ele passou a desenvolver logo após receber o diagnóstico da doença.

A trajetória de enfrentamento começou após o paciente sentir sintomas como saciedade precoce e episódios de vômito durante uma viagem a Bonito (MS), no Réveillon de 2024. Exames médicos confirmaram o adenocarcinoma gástrico com metástases.

Durante uma tentativa de cirurgia, a equipe médica identificou que a doença já havia atingido o intestino e o peritônio. A presença dessas metástases inviabilizou qualquer possibilidade de tratamento com foco em cura.

Mesmo diante das limitações físicas geradas pela quimioterapia e da perda de peso progressiva, Pitthan manteve o ritmo de trabalho. Ele também tentou preservar sua rotina de treinos pelo período que foi biologicamente possível.

Antes de entrar em estado de internação definitiva, o empresário buscou realizar experiências de liberdade para celebrar a vida. Ele retornou ao município de Bonito para praticar rapel de 70 metros no Abismo Anhumas.

Logo após a atividade de rapel, Pitthan realizou um salto de paraquedas. De acordo com seus próprios depoimentos, a filosofia adotada nos meses finais era focar no usufruto intenso das oportunidades que ainda restavam.

A estratégia de controle sobre o tempo e sobre as próprias homenagens transformou o período de tratamento paliativo em um movimento de aceitação. O velório em vida foi descrito por pessoas próximas como um encontro de gratidão.

O evento de maio não teve o foco na morte, mas sim na participação ativa de Pitthan em sua própria história. Ele pôde discursar, interagir com os convidados e vivenciar o carinho de quem fazia parte de sua trajetória.

A notícia do falecimento ocorreu logo após a publicação das mensagens de despedida no leito hospitalar. O impacto das ações de Pitthan gerou discussões sobre a forma de encarar diagnósticos terminais.

O empresário deixou um legado de resiliência ao decidir transformar momentos de dor em celebração artística e social. Sua jornada encerrou-se de forma serena, conforme relatado em suas comunicações finais.

Revisado por Davy Albuquerque, editor responsável.