Ex-major da PM de MS nega participação em tráfico internacional e alega ser homônimo de criminoso
Sérgio Roberto de Carvalho afirma em julgamento na Bélgica que os crimes de tráfico de cocaína foram cometidos por outra pessoa com o mesmo nome
Por Redação Diário Local
O ex-major da Polícia Militar de Mato Grosso do Sul, Sérgio Roberto de Carvalho, negou em julgamento na Bélgica a participação em um esquema de tráfico internacional de cocaína. Durante a sessão, o brasileiro de 68 anos alegou que as atividades criminosas foram cometidas por um homônimo, ou seja, outra pessoa com o mesmo nome.
O caso ocorre no complexo Justitia, localizado em Evere, na região de Bruxelas, e se aproxima da fase final de audiências. Carvalho é apontado pela acusação como responsável pelo fornecimento de pelo menos 16 toneladas de cocaína para uma rede de tráfico europeia.
Na quarta-feira (30), o ex-major apresentou sua versão pessoal aos juízes após ter faltado a sessões anteriores devido a problemas de saúde. Ele foi preso na Hungria em 2022 e extraditado para o território belga em junho de 2023.
O que diz a acusação sobre o esquema de tráfico?
Segundo o Ministério Público belga, a organização criminosa utilizava uma empresa de tratamento de água, na cidade de Antuérpia, para dar cobertura ao transporte de cocaína vindo da América do Sul. O esquema teria operado entre agosto de 2019 e abril de 2020, utilizando o porto de Roterdã, na Holanda, para a entrada da droga.
A investigação estima que a entrada de 16,9 toneladas de cocaína gerou um lucro de 200 milhões de euros, o que equivale a cerca de R$ 1,7 bilhão. A acusação aponta Flor Bressers como o líder da rede e pede a pena máxima de 20 anos de prisão para ele, além de confisco de bens.
No caso de Sérgio Roberto de Carvalho, ele pode receber uma pena de até 15 anos de prisão. A organização InSight Crime descreve o brasileiro como um intermediário logístico que conectava fornecedores e compradores, organizando voos com drogas do Peru e da Bolívia para o Brasil e, posteriormente, para a Europa.
Conflitos no processo judicial
O julgamento tem sido marcado por intensas disputas entre a defesa e o Ministério Público. Na quinta-feira (1º), houve um novo conflito envolvendo o advogado Hans Rieder, acusado pela acusação de acessar documentos de outra investigação criminal para sustentar a tese de que houve interceptação indevida de comunicações entre réus e seus defensores.
O tribunal suspendeu a audiência e decidiu que a punição para o advogado será decidida apenas na sentença final. Outros pontos de tensão incluem o uso de cabines de vidro para os réus e a presença de agentes armados, o que, segundo advogados, dificulta a comunicação reservada entre clientes e defensores.
Além disso, o processo passou por mudanças na condução após o acolhimento de 21 pedidos de afastamento de juízes por suspeição no início de 2026, o que exigiu a formação de uma nova composição do tribunal.
