Família de bebê morto em Vila Velha rejeita acordo e quer que médico responda por homicídio
Parentes de Miguel Nunes Costa Reis negam proposta de suspensão do processo do Ministério Público e pedem condenação por homicídio doloso.
Por Redação Diário Local
A família do bebê Miguel Nunes Costa Reis, que morreu aos 35 dias de vida em Vila Velha, rejeitou a proposta de suspensão condicional do processo apresentada pelo Ministério Público do Espírito Santo (MPES). Os parentes buscam a condenação do médico Adoris Loureiro Lopes por homicídio doloso, com dolo eventual.
A proposta formulada pelo MPES previa a suspensão do processo caso fossem cumpridas determinadas condições, incluindo o pagamento de indenização à família. No entanto, o advogado Fábio Marçal, que atua como assistente de acusação contratado pelos pais, afirmou que os responsáveis não aceitam nenhum tipo de acordo e exigem a responsabilização integral pelo ocorrido.
A defesa da família argumenta que a conduta do profissional não deve ser tratada como homicídio culposo (quando não há intenção de matar). O pedido para que a equipe de assistência de acusação atue formalmente no processo ainda aguarda análise da Justiça.
O que aconteceu na consulta?
A morte de Miguel ocorreu em 21 de julho de 2025 (segunda-feira), durante uma consulta em uma clínica particular em Vila Velha. A criança havia sido levada pelos pais para uma avaliação devido a um quadro de refluxo.
Segundo o relato do pai da criança, Ronaldo dos Santos Costa, o médico teria colocado o bebê de cabeça para baixo para realizar uma limpeza após o animal ter evacuado. Após o procedimento, a criança teria ficado com a coloração arroxeada, apresentando queda nos batimentos cardíacos e na respiração.
O Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) foi acionado, mas a equipe chegou à clínica e encontrou o bebê já sem vida. Na ocasião, a defesa do médico contestou a versão dos pais, afirmando que não houve procedimento inadequado durante o atendimento.
Laudo e andamento judicial
Um mês após o ocorrido, a família informou que o laudo médico apontou como causa da morte um edema agudo de pulmão, provocado por broncoaspiração de conteúdo gástrico. Com base nisso, os familiares passaram a defender o enquadramento de dolo eventual.
O Ministério Público do Espírito Santo havia denunciado o médico por homicídio culposo meses após o falecimento. O MPES informou que, por o procedimento tramitar em segredo de Justiça, não pode fornecer detalhes sobre os termos da proposta de suspensão ou sobre o andamento atual da ação.
Em nota, os advogados Rodrigo Faucz, Mario de Oliveira Filho e David Metzker, que representam o médico, comunicaram que ainda não tiveram acesso às condições da proposta do Ministério Público e que se reunirão com o cliente assim que forem intimados.
