Francisquinha Castelo Branco da Costa Gomes vive trajetória de décadas no Xingu
Conhecida como Tia Chica em Altamira, ela construiu uma história de vida marcada pelo convívio com comunidades indígenas e o ciclo da borracha.
Por Davy Albuquerque
Francisquinha Castelo Branco da Costa Gomes, conhecida em Altamira e em toda a região do Xingu como Tia Chica, possui uma trajetória de vida que atravessa décadas de história no interior do Pará. Com 67 anos de idade, sua história é marcada pelo convívio com comunidades indígenas e pelas mudanças econômicas da região.
A história de Francisquinha remete ao período em que a ocupação da região era consolidada. Ela chegou ao Xingu em 1926, vindo de Fortaleza, para acompanhar o marido, Anfrísio da Costa Gomes, que atuava como seringalista na área.
Ao longo das décadas, ela vivenciou o auge e o fim do monopólio da borracha, um período de grandes transformações para a economia local e para as famílias que dependiam do setor no Pará.
Como foi a vida no Xingu?
A rotina de Francisquinha foi definida pela presença constante da natureza e pelo contato com as populações locais. Ela relata o convívio com comunidades indígenas, que participavam do cotidiano, inclusive prestando auxílio com remédios naturais extraídos da mata.
A vida na região exigia adaptação a elementos como a presença de insetos e a geografia das águas do Xingu. Apesar dos desafios impostos pela mata e pelo isolamento, ela consolidou sua residência e sua linhagem familiar no interior paraense.
Francisquinha construiu uma extensa árvore genealógica, contando hoje com 24 filhos e 72 netos. Entre seus descendentes, há profissionais de diferentes áreas, como militares e médicos.
Quais os impactos das mudanças econômicas?
A transição econômica da região foi um dos pontos de maior impacto relatados. Com o fim do monopólio da borracha, o cenário de prosperidade do seringal sofreu alterações profundas, exigindo novos recomeços para as famílias estabelecidas na área.
A trajetória da moradora reflete o processo de ocupação e as mudanças sociais ocorridas no Xingu desde meados do século XX até os dias atuais, quando a região já conta com infraestrutura de comunicações e transporte mais moderna.
