Gaeco deflagra operação contra policiais suspeitos de desviar drogas apreendidas em MS
Operação Infiltrados cumpriu 26 mandados de prisão contra agentes civis, militares e penais suspeitos de desvio de entorpecentes no estado.
Por Redação Diário Local
O Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado (Gaeco), do Ministério Público de Mato Grosso do Sul (MPMS), deflagrou nesta quinta-feira (24) a Operação Infiltrados para investigar a suspeita de que agentes de segurança estariam desviando drogas apreendidas pelo Estado.
A ação cumpriu 26 mandados de prisão contra policiais civis, militares e penais em Campo Grande, Dourados e Terenos. A investigação aponta que os suspeitos utilizavam o acesso funcional aos entorpecentes sob custódia estatal para retirar o material de circulação oficial e reinseri-lo no mercado de tráfico.
Entre os nomes de maior repercussão na operação está o delegado Hoffman D'Ávila Cândido e Sousa, que já ocupou cargos de chefia na Denar (Delegacia Especializada de Repressão ao Narcotráfico) e no Garras (Delegacia Especializada de Repressão a Roubos a Bancos, Assaltos e Sequestros). O delegado se apresentou às autoridades após o cumprimento de buscas em sua residência.
Como as investigações avançaram
A Operação Infiltrados não é um caso isolado, mas o resultado de apurações anteriores conduzidas pelo Gaeco. Elementos colhidos durante as operações Traquetos e Blindspot revelaram o modus operandi de grupos criminosos e a proximidade com servidores públicos.
Nas investigações anteriores, o Gaeco identificou o uso de informações privilegiadas por parte de servidores para beneficiar traficantes, além de estruturas de financiamento e transporte de drogas. O que se descobriu agora é um nível de infiltração mais direto, onde o foco é o desvio de cargas apreendidas.
Histórico das operações anteriores
A Operação Traquetos, iniciada em agosto de 2023, investigou um esquema de tráfico e lavagem de dinheiro com base em Mato Grosso do Sul. O grupo utilizava uma estrutura empresarial para financiar cargas e organizar o transporte interestadual de entorpecentes.
Nesta investigação, uma oficina em Campo Grande foi monitorada por sete meses e apontada como local de preparação de veículos utilizados para o transporte de drogas e armas. Também foi identificado o papel de financiadores que investiam valores milionários na atividade criminosa.
Já a Operação Blindspot, ocorrida em julho de 2025, focou no uso de caminhoneiros para o transporte de cocaína e pasta-base por meio de esconderijos em veículos. Na ocasião, a investigação também detectou a suspeita de infiltração de um policial penal que compartilhava informações sigilosas do sistema prisional e da segurança pública com lideranças de facções criminosas.
