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Cotidiano

Grupo de corrida reúne 500 moradores de Paraisópolis e promove rede de apoio na periferia de SP

Iniciativa criada em janeiro busca incentivar a prática esportiva e fortalecer a saúde mental e a autoestima na comunidade de São Paulo.

Por Redação Diário Local

O grupo de corrida 011 Corre reúne cerca de 500 participantes cadastrados na comunidade de Paraisópolis, na Zona Sul de São Paulo. Criado em janeiro deste ano, o movimento busca incentivar a prática esportiva entre moradores locais e funciona como uma rede de apoio para a comunidade.

Os treinos oficiais do grupo contam com a presença de 100 a 150 pessoas por sessão. A iniciativa, liderada por Luigi Santos Silva, de 23 anos, e Luis Gustavo, de 25, surgiu após o compartilhamento de treinos em redes sociais e o interesse espontâneo de moradores em participar das atividades coletivas.

Para os organizadores, a prática esportiva proporciona benefícios que vão além do condicionamento físico, incluindo disciplina, foco, autoestima e auxílio na saúde mental. O público do grupo é diverso e atende desde adolescentes de 16 anos até adultos com mais de 40 anos.

Luigi Santos afirma que muitos moradores da periferia enfrentam barreiras para praticar esportes devido à falta de incentivo, de espaços seguros e de referências que os façam sentir que o esporte também pertence a esse território.

Quais são os desafios enfrentados pelos corredores?

Além da questão da segurança, o custo para iniciar no esporte é um dos principais obstáculos financeiros. Um kit básico para corrida, composto por tênis, vestuário, meias e protetor solar, tem um custo estimado em R$ 515.

Caso o corredor opte por acessórios adicionais, como relógio esportivo, óculos e pochete, o investimento para um kit completo pode chegar a aproximadamente R$ 1.045. O morador Mike Johnnatan, de 30 anos, ressalta que montar o equipamento completo pesa no orçamento familiar.

Mike, que pratica a atividade há dois anos, também relatou enfrentar situações de racismo durante os treinos. Segundo ele, já houve abordagens policiais direcionadas a ele durante as corridas, enquanto corredores brancos nas proximidades não foram parados.

O analista e desenvolvedor de sistemas conta que, durante essas abordagens, é frequentemente necessário mostrar o relógio esportivo para comprovar que está realizando a atividade física e desconstruir o imaginário racista de que negros não estão correndo.

Como funcionam as atividades do grupo?

Os treinos oficiais do 011 Corre ocorrem todas as segundas-feiras (24), às 20h, com ponto de encontro na AMA Paraisópolis, localizada na Rua Silveira Sampaio, 160, no Jardim Morumbi. O grupo também organiza as chamadas "clandestinos", que são corridas espontâneas combinadas via mensagens durante a semana.

O movimento conta ainda com o projeto "011 Corre por Elas", realizado no terceiro domingo de cada mês. A atividade é exclusiva para mulheres, conduzida por uma equipe feminina e inclui dinâmicas como fitdance e sorteios, com os homens participando apenas como apoio e segurança.

Produzido pela redação do Diário Local com apoio de automação editorial, sob curadoria e revisão de Davy Albuquerque, editor responsável.