Ornitorrinco usa sinais elétricos do bico para caçar com olhos fechados
Mamífero fecha olhos, ouvidos e narinas ao mergulhar e localiza pequenos invertebrados por meio de receptores sensoriais no bico
Por Redação Diário Local
O ornitorrinco consegue localizar alimentos em águas turvas mesmo com os olhos, ouvidos e narinas fechados. A estratégia de caça do mamífero baseia-se em receptores sensoriais localizados em seu bico, que detectam os sinais elétricos produzidos pelas contrações musculares de presas, como larvas de insetos e pequenos invertebrados.
Ao mergulhar em cursos de água na Austrália, o animal protege suas aberturas sensoriais e utiliza o bico flexível para investigar o fundo do leito. A estrutura não é endurecida como parece em ilustrações, mas é revestida por pele e dotada de receptores que combinam a eletrorecepção com a percepção tátil.
O processo de busca ocorre de forma integrada e exige movimentos constantes. Enquanto a presa se move e emite campos elétricos fracos, o ornitorrinco move a cabeça para receber diferentes padrões de estímulos, o que permite que ele oriente a busca e localize o alimento mesmo sem o auxílio da visão em ambientes com pouca luz.
Como funciona o bico do ornitorrinco?
A detecção não funciona como uma imagem visual, mas como uma interpretação de estímulos elétricos e mecânicos. Os receptores no bico respondem a variações muito fracas geradas pelos músculos de outros animais em movimento, além de registrarem o toque e a pressão da água.
Essa capacidade é comum em outros grupos de animais, como tubarões e raias, mas é uma característica marcante entre os monotremados, grupo ao qual o ornitorrinco pertence. A proximidade da presa torna o sinal elétrico mais útil para que o bico identifique a direção do alvo.
Após localizar o alimento, o animal realiza movimentos de varredura com a cabeça para confirmar a posição. Assim que encontra o item, o ornitorrinco o recolhe e o armazena nas bolsas das bochechas, sendo necessário subir à superfície em seguida para respirar e processar a comida.
Quais são as ameaças ao habitat?
Apesar da capacidade sensorial avançada para encontrar comida em ambientes difíceis, a sobrevivência da espécie depende diretamente da qualidade dos rios. A eficiência do bico em localizar larvas e invertebrados não é capaz de compensar a degradação ambiental severa.
Fatores como a poluição das águas, mudanças nas margens dos rios e a presença de obstáculos físicos podem comprometer o ecossistema. Se o habitat for degradado, a disponibilidade de alimento diminui, o que afeta o ciclo de vida e a sobrevivência do mamífero.
