Homem acusado de jogar ex de penhasco em MG tinha histórico de ameaçar passageiras com faca
Investigação da Polícia Civil revelou que Silvanildo Amâncio de Araújo, 52, mantinha facas no carro e as usava para intimidar mulheres durante trabalho como motorista de aplicativo.
Por Diário Local
Silvanildo Amâncio de Araújo, 52 anos, acusado de estuprar e jogar a ex-companheira Ana Cláudia Rodrigues da Silva Souza, 41, de um penhasco na Serra do Rola Moça, na Região Metropolitana de Belo Horizonte, tinha histórico de ameaças contra outras mulheres quando trabalhava como motorista por aplicativo. A informação foi divulgada pela Polícia Civil de Minas Gerais em coletiva de imprensa na manhã de segunda-feira (29 de junho).
De acordo com a delegada Gislaine de Oliveira Rios, durante o período em que atuava como motorista, Silvanildo costumava manter facas dentro do veículo, alegando ser açougueiro. "A PC analisou todo o histórico de ocorrências, a conduta e o comportamento social do suspeito e constatou que ele, sendo motorista de aplicativo, também já teve ocorrência envolvendo passageiras em que ele as ameaçava. Por ser açougueiro, sempre mantinha facas dentro do carro e utilizava essas facas para ameaçar passageiros", afirmou a delegada.
As ameaças eram motivadas por situações banais, conforme os investigadores. Um dos episódios ocorreu após uma passageira solicitar uma mudança de rota durante uma viagem. Após discussão, o motorista foi até a casa da mulher armado com uma faca. "Ele chegou à casa dessa passageira com uma faca na mão, ameaçando-a e dizendo que sabia exatamente onde ela morava e que iria persegui-la posteriormente", detalhou Gislaine Rios.
Segundo a delegada, o suspeito foi banido de plataformas de transporte. Mesmo assim, continuava atuando como motorista ao criar perfis falsos para se cadastrar novamente. "Constatamos que essas ameaças aconteciam frequentemente, sobretudo contra mulheres", disse a investigadora.
Os seis crimes
Silvanildo foi indiciado por sequestro e cárcere privado, ameaça, roubo, tortura, estupro e tentativa de feminicídio qualificado pela ocultação de cadáver. De acordo com a polícia, o crime foi planejado. "Concluímos que ele planejou todo o crime. Ele tinha o objetivo de fugir para outro estado, já que tinha parentes na Bahia. Carregava dinheiro, roupas e celulares para a fuga", disse a delegada.
A vítima, que trabalha como diarista, começou a ser perseguida após decidir se separar em fevereiro. Ela se mudou de Ribeirão das Neves para Belo Horizonte na tentativa de fugir, mas o homem continuou monitorando seus movimentos. "Em fevereiro ela terminou [o relacionamento]. Ela terminou justamente pela quantidade de perseguições, ameaças [...] E um mês depois ele continuou ainda atrás dela. Ele ia no local de trabalho, ia na escola da filha dela. Ele continuou indo na casa dela nos momentos em que ela estava em casa. E aí ele olhava pela janela para ver onde ela estava", detalhou Gislaine Rios.
O crime e a prisão
Ana Cláudia desapareceu após sair para levar a filha à escola no bairro Pindorama, antes de seguir para o trabalho no bairro Mangabeiras. Armado com uma faca, Silvanildo abordou a vítima e a obrigou a entrar no veículo sob ameaças e agressões. "Ele a ameaçou e, com um golpe, colocou ela dentro do carro, trancou as portas, fechou os vidros, colocou o cinto de segurança e, a partir daí, a gente já vê o sequestro e o cárcere privado", relatou a delegada.
Dentro do carro, subtraiu a bolsa dela contendo celular, cartão de crédito e documentos, obrigando-a a desbloquear o aparelho. Na Serra do Rola Moça, mantendo as ameaças, obrigou a vítima a fazer sexo oral nele antes de empurrá-la da encosta.
No dia seguinte, Silvanildo foi detido em Várzea da Palma, no Norte de Minas, próximo ao veículo usado na fuga, estacionado às margens da rodovia MGC-496. Em gravação feita pela polícia, confessou: "Eu peguei ela descendo do ônibus, abracei ela e falei pra ela entrar no carro. Ela falou: 'Você vai me matar?' Levei ela lá pro Jardim Canadá e joguei ela lá do penhasco". O homem admitiu que percebeu a vítima ainda viva após a queda e tentou alcançá-la, mas desistiu pela dificuldade de acesso.
Sobrevivência e resgate
Ana Cláudia foi encontrada com vida pelo Corpo de Bombeiros após aproximadamente 24 horas em uma área de mata. Estava consciente e orientada, apresentando escoriações pelo corpo, principalmente nas costas, além de ferimentos em um dos pés. Apesar dos ferimentos, conseguiu subir parte do barranco e se agarrar à vegetação até ser localizada pelas equipes de resgate.
