Hospitais de Goiás trocam fornecedores ligados a investigação de lavagem de dinheiro por empresa de médica
Contratos de R$ 8,9 milhões mensais em hospitais administrados pelo Imed foram firmados com empresa de sócia citada em inquérito do TRF-1
Por Redação Diário Local
Pelo menos três hospitais do governo de Goiás, administrados pelo Instituto de Medicina, Estudos e Desenvolvimento (Imed), encerraram contratos com empresas que possuíam ligações com intermediários apontados pela polícia como integrantes de uma rede de lavagem de dinheiro do Primeiro Comando da Capital (PCC). Em substituição, o instituto contratou a Fabermed FMC Soluções em Saúde, empresa que tem como sócia a médica Gleycianne França, investigada em inquérito no Tribunal Regional Federal da 1ª Região (TRF-1).
Os novos contratos para o fornecimento de médicos nos hospitais de Formosa, Uruaçu e Trindade totalizam R$ 8,9 milhões por mês. Em um dos processos de seleção, a proposta apresentada pela empresa de Gleycianne França foi R$ 770 mais barata do que a da segunda colocada, após a desclassificação de outras quatro concorrentes.
Por que a empresa é investigada?
A médica Gleycianne França responde a um inquérito no TRF-1, que também apura a conduta do deputado federal Ismael Alexandrino. A investigação aponta a suspeita de simulação de disputas em processos de seleção para favorecer o parlamentar e seu irmão, Daniel Alexandrino Gonçalves.
De acordo com registros do juiz Alessandro Pacheco, da 2ª Vara de Repressão ao Crime Organizado de Goiânia, a investigada teria promovido declarações falsas em 11 processos de seleção de fornecedores. O objetivo seria simular uma concorrência inexistente para beneficiar a empresa Amme Saúde Ltda, ligada ao irmão do ex-secretário de Saúde, Ismael Alexandrino.
A investigação, que tramita na Polícia Federal e no TRF-1, baseou-se em apontamentos da Polícia Civil sobre irregularidades em subcontratações destinadas ao beneficiamento de familiares do então secretário estadual de Saúde.
O que dizem os envolvidos?
A defesa de Gleycianne França negou categoricamente qualquer participação em simulações de disputa ou ajustes para favorecer Ismael Alexandrino ou Daniel Alexandrino. O advogado da médica destacou que ela não foi denunciada pelo Ministério Público e que não possui relacionamento pessoal ou profissional com o deputado.
O sócio da Fabermed, Lucas Nogueira, afirmou que a empresa trabalha com uma precificação justa para os médicos e que não possui contato com o parlamentar. Sobre a diferença de valores nos contratos, a médica alegou que os preços de mercado para plantões são conhecidos e transparentes.
O advogado do deputado Ismael Alexandrino classificou as suspeitas como "pura leviandade" e afirmou que nenhuma contratação de empresa ou médico passava pela Secretaria de Saúde. A Secretaria de Saúde de Goiás e o Imed não enviaram informações sobre as contratações após pedidos de esclarecimento.
