Inquérito sobre queda da Voepass deve ficar pronto em 30 dias, diz advogado
A Polícia Federal apresentou laudo pericial com mais de 200 páginas que pode resultar em indiciamentos; relatório aponta responsabilidade de quem autorizou o voo a operar.
Por Diário Local
A Polícia Federal de Campinas apresentou nesta terça-feira (30 de junho) o laudo pericial da queda do voo 2283 da Voepass aos familiares das 62 vítimas do acidente. O documento, com mais de 200 páginas, investigou as causas do sinistro e servirá de base para o inquérito policial que apura responsabilidades no caso.
De acordo com Luciano Katarinhuk, advogado da associação de familiares e assistente de acusação, o inquérito deverá ser concluído em até 30 dias. Ele afirmou que o relatório pericial traz elementos que podem resultar em indiciamentos e apontam responsabilidade de quem autorizar a operação da aeronave.
"Esse voo 2283 da Voepass não devia estar voando. Por que ele estava voando? Independentemente da participação, do erro, do equívoco também dos pilotos, caso seja apurado, mas existe ali a responsabilidade de quem colocou esse avião para voar, e isso está muito claro nas provas produzidas", declarou Katarinhuk na reunião com a Polícia Federal.
Segundo o advogado, pessoas que haviam sido ouvidas na condição de declarantes agora passarão a ser ouvidas como investigadas, indicando avanço nas investigações sobre o acidente.
Fátima Albuquerque, presidente da associação de familiares e mãe da médica Arianne Albuquerque que estava no voo, reforçou a posição das vítimas. "A nossa luta é para cessar esse tipo de comportamento no país, porque não foi um acidente, foi uma tragédia anunciada, foi uma construção de negligência", afirmou.
O acidente da Voepass
Em 9 de agosto de 2024, o voo 2283 da Voepass caiu em Vinhedo, no interior de São Paulo, matando 62 pessoas (58 passageiros e 4 tripulantes), o quinto acidente aéreo mais fatal da história do Brasil. A aeronave havia decolado do Aeroporto Coronel Adalberto Mendes da Silva, em Cascavel no Paraná, às 11h58 com destino ao Aeroporto Internacional de São Paulo em Guarulhos.
O avião era comandado pelo piloto Danilo Romano, de 35 anos, e pelo copiloto Humberto de Campos Alencar e Silva, de 61 anos. A tripulação contava ainda com as comissárias de bordo Debora Soper Avila, 28, e Rubia Silva de Lima, 41. Os 58 passageiros haviam adquirido passagens pela Latam, que comercializava os voos da Voepass.
Três minutos antes do acidente, os pilotos informaram à torre de controle em São Paulo que estavam no ponto ideal para iniciar a descida rumo a Guarulhos. Às 13h21, porém, a aeronave começou a perder altitude repentinamente e caiu no condomínio Residencial Recanto Florido. Não houve sobreviventes.
