Polícia apura se armas de CACs foram usadas em atentado contra tenente da Rota
Denúncia aponta que colecionadores e atiradores poderiam ter sido usados como laranjas para ocultar armamento usado no crime.
Por Redação Diário Local
A Polícia Civil investiga se armas compradas por colecionadores, atiradores desportivos e caçadores (CACs) foram utilizadas no atentado contra o tenente Ronickson Pimentel dos Santos, da Rota. A suspeita baseia-se em uma denúncia anônima enviada por meio do Disque Denúncia (181).
De acordo com o relato, criminosos estariam utilizando CACs como "laranjas" para adquirir armamentos de forma legalizada e, posteriormente, repassar o equipamento a terceiros, dificultando a identificação do verdadeiro proprietário nos sistemas oficiais. A denúncia sugere que, caso as armas sejam localizadas, elas apresentariam registros de aquisição em nome desses atiradores e colecionadores.
No entanto, a Polícia Civil ainda não apresentou o uso de armamento de CACs como uma conclusão do inquérito. Para confirmar a hipótesa, os investigadores precisam realizar o rastreamento dos equipamentos, o confronto balístico e verificar se houve comunicação de furto ou roubo pelos proprietários registrados.
O suposto mandante e o plano de resgate
A denúncia anônima também atribui a ordem para o atentado a um homem que está preso no Centro de Detenção Provisória (CDP-IV) de Pinheiros. Segundo o relato, o detento teria transmitido as determinações ao próprio filho, que as repassaria a comparsas em liberdade.
O material de análise confirma que o homem mencionado está custodiado desde setembro de 2025 e possui mandados relacionados a homicídio qualificado. Outras denúncias associadas ao seu nome citam envolvimento em tráfico de drogas, roubo e latrocínio (roubo seguido de morte).
Além disso, informações incorporadas ao processo indicaram que integrantes de uma facção criminosa discutiam um plano para resgatar suspeitos envolvidos no caso. O plano envolveria o uso de fuzis e veículos blindados para retirar detentos da custódia policial.
Logística do ataque contra o oficial
O crime contra o tenente Pimentel ocorreu na sexta-feira (27) de junho, em São Caetano do Sul, no ABC Paulista. O oficial foi atingido por um tiro na cabeça disparado pelo garupa de uma motocicleta. Segundo informações da Polícia Militar (PM), o tenente foi socorrido em estado gravíssimo.
O Departamento de Homicídios e de Proteção à Pessoa (DHPP) identificou que o ataque foi coordenado e envolveu diversos veículos. Além da motocicleta, investigadores relacionaram um Renault Logan branco, um Fiat Palio e um GM Astra ao esquema de apoio durante a ação.
Três pessoas foram transferidas para o sistema prisional após denúncias sobre o plano de resgate. Entre os detidos está Luiz Henrique de Oliveira Nascimento, suspeito de ocultar a motocicleta utilizada no crime mediante o pagamento de R$ 100.
O principal suspeito de ter efetuado os disparos é Hércules da Costa Siqueira, conhecido como Golias ou Peruca. Ele permanece foragido. A Secretaria da Segurança Pública (SSP) oferece uma recompensa de R$ 50 mil para informações que levem à sua localização.
