Investigação do MP cita coronéis da Polícia Militar de SP em esquema de lavagem de dinheiro do PCC
Investigação do Ministério Público aponta que comandantes da corporação teriam proximidade com operadores de banco clandestino usado pela facção.
Por Davy Albuquerque
Nomes de integrantes da cúpula da Polícia Militar de São Paulo foram citados em uma investigação do Ministério Público de São Paulo (MPSP) sobre um banco clandestino suspeito de lavar dinheiro para a facção Primeiro Comando da Capital (PCC). A investigação aponta que o esquema era utilizado para movimentar recursos e garantira proteção ao grupo criminoso.
A operação contra a rede criminosa foi deflagrada nesta terça-feira (21). Os registros do MPSP mencionam comandantes e diretores da Polícia Militar, entre eles os coronéis Pereira Martins, José Augusto Coutinho e Patrício. Apesar das citações nos documentos, os policiais militares não foram alvos das ordens de prisão ou de busca e apreensão.
As identidades dos militares chegaram ao conhecimento dos investigadores após a análise de materiais apreendidos, como áudios e planilhas financeiras. Esses materiais indicaram proximidade entre os suspeitos e oficiais da corporação, além da ocorrência de repasses de valores em espécie.
Como funcionava o esquema de lavagem de dinheiro?
A ação é coordenada pelo Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco). Segundo as investigações, o grupo oferecia uma estrutura de 'banco paralelo' para criminosos. Os operadores recebiam grandes quantias em dinheiro vivo e devolviam os valores ao sistema financeiro por meio de transferências eletrônicas realizadas por pessoas jurídicas criadas para simular legalidade aos recursos.
De acordo com o MPSP, um dos principais beneficiários da estrutura seria Leonardo Monteiro Moja, apontado como uma das lideranças do PCC em São Paulo. O uso do esquema permitia a aquisição de bens sem vincular o nome do líder às negociações, justificando a posse de grandes quantias de dinheiro em espécie.
O Gaeco aponta ainda que a estrutura financeira era acionada para atender interesses da facção em negociações particulares, incluindo uma disputa envolvendo imóveis de alto padrão na Riviera de São Lourenço, no litoral paulista.
Medidas judiciais e mandados
A Justiça expediu 18 mandados de prisão preventiva e 25 de busca e apreensão contra os investigados apontados como responsáveis por ocultar e movimentar recursos da facção por meio de empresas de fachada e operadores financeiros. O alvo central da apuração inclui o empresário Cléber Azevedo dos Santos e Robson Martins de Souza, que teriam mantido relação próxima com integrantes do alto comando da Polícia Militar.
Para tentar enfraquecer as atividades do grupo, a Justiça determinou o bloqueio de até R$ 10 milhões em contas bancárias, empresas e bens ligados aos investigados.
