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Transporte

Investigação aponta elo de facção com 12 empresas de ônibus em São Paulo e gera caos no transporte

Operação do Ministério Público revela envolvimento de facção com empresas que atendem periferias; passageiros relatam atrasos e superlotação.

Por Redação Diário Local

Uma investigação conduzida pelo Ministério Público de São Paulo (MPSP), com a participação da Polícia Civil, apontou o envolvimento do Primeiro Comando da Capital (PCC) com 12 das 22 empresas do sistema de ônibus municipal de São Paulo. As investigações fazem parte da operação Vectura Corrupta.

As empresas sob suspeita integram o grupo de distribuição que opera majoritariamente em bairros da periferia da capital. Em agosto, esse grupo foi responsável pelo transporte de cerca de 73 milhões de passageiros, o equivalente a 41% do total de 177 milhões de viagens realizadas na cidade.

A operação resultou na prisão do ex-presidente da Câmara, Milton Leite. A investigação levanta questionamentos sobre a fiscalização da administração municipal sobre a atuação de grupos criminosos dentro das empresas de transporte.

Qualidade do serviço e impacto no bolso

Apesar dos altos valores aplicados em subsídios, passageiros de regiões como Grajaú e Varginha relatam dificuldades diárias. Usuários que utilizam o sistema na zona sul da capital apontam intervalos de espera que variam entre 20 e 40 minutos, além de veículos que apresentam falhas mecânicas durante o trajeto.

A prefeitura de São Paulo injetou mais de R$ 7,1 bilhões em subsídios no ano passado para cobrir gratuidades e a diferença entre a tarifa paga pelo usuário (R$ 5,30) e o custo real da operação (R$ 13,49). Para 2026, a estimativa de gastos era de R$ 6,22 bilhões, mas a execução financeira até setembro já atingiu R$ 6,29 bilhões.

Apesar do aporte financeiro, o sistema enfrenta uma tendência de queda no número de usuários. Em comparação com 2024, o volume de passageiros nos primeiros oito meses do ano recuou 5,4%. Em relação a 2025, a queda foi de 3,6%. Já quando comparado aos níveis registrados em 2019, antes da pandemia, a perda de usuários chega a 23%.

Análise do sistema público

A coordenadora-adjunta do Núcleo de Mobilidade Urbana do Centro de Estudos das Cidades do Insper, Suzana Leite Nogueira, indica que o sistema sofre com a falta de investimentos que priorizem o transporte coletivo. Segundo a especialista, houve uma redução de cerca de 800 ônibus na frota em comparação ao período pré-pandemia, o que afeta principalmente as periferias.

Nogueira destaca que, embora a cidade seja referência em tecnologia, há falhas no monitoramento do cumprimento das viagens programadas. A especialista defende que o aumento do subsídio deve vir acompanhado de uma regulação mais assertiva para garantir o padrão operacional e a regularidade das linhas.

Para evitar a infiltração de grupos criminosos em serviços essenciais como o transporte, a especialista afirma ser necessário o aprimoramento dos mecanismos de rastreabilidade financeira dos contratos públicos.

Produzido pela redação do Diário Local com apoio de automação editorial, sob curadoria e revisão de Davy Albuquerque, editor responsável.