Investigação aponta relação entre oficiais da PM de São Paulo e suspeitos de crimes financeiros
Relatórios de investigação mostram registros de áudio e planilhas com nomes de oficiais da corporação ligados a suspeitos de crimes financeiros
Por Davy Albuquerque
Uma investigação conduzida nesta terça-feira (21) pelo Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) revelou ligações entre oficiais de alta patente da Polícia Militar de São Paulo e investigados por crimes financeiros. Relatórios de Polícia Judiciária indicam que a proximidade entre os grupos era utilizada para garantir blindagem, trânsito e apoios estratégicos aos suspeitos.
As investigações, que são desdobramentos das operações Recidere e Bazaar, apontam que as figuras centrais do caso, o empresário Cléber Azevedo dos Santos e Robson Martins de Souza, mantinham relações estreitas com o alto escalão da corporação. Registros de áudio e planilhas financeiras apreendidas demonstram que os interlocutores discutiam abertamente a facilidade de acesso a diretores e comandantes da PM.
Segundo os documentos do inquérito policial, os oficiais citados nas gravações e nos relatórios não são alvos da operação realizada nesta terça-feira (21). Além disso, nenhum dos militares mencionados foi denunciado ou acusado formalmente no caso até o momento.
Oficiais mencionados nos autos
Entre os nomes que aparecem nos documentos anexados à investigação, destaca-se o coronel PM Pereira Martins, apontado como diretor de ensino da corporação. Constam nos autos registros de tratativas diretas e solicitações de canais particulares feitas por Cléber Azevedo em setembro de 2023.
Também é citado o coronel PM José Augusto Coutinho, que comandou a Rondas Ostensivas Tobias de Aguiar (Rota) e o Comando de Policiamento de Choque durante o período analisado. O oficial ocupou o cargo de comandante-geral da Polícia Militar paulista e deixou a função em abril deste ano.
Outro nome recorrente em planilhas de controle financeiro do grupo é o do coronel "Patrício". O nome aparece vinculado ao gerenciamento de despesas e ao recebimento de vantagens indevidas dentro da organização investigada.
Esquema de "ticketagem"
Relatórios financeiros detalham a existência de esquemas de circulação de dinheiro ilícito, conhecidos como "ticketagem". Esse método era utilizado para alimentar o caixa da organização e custear tanto favores institucionais quanto particulares.
Uma planilha de dezembro de 2019, enviada por uma colaboradora identificada como Ellen a Cléber Azevedo, registra o pagamento de R$ 1.000,00 direcionado ao coronel "Patrício". O documento demonstra a injeção de recursos em espécie no esquema estudado pelos investigadores.
Para a Polícia Judiciária, a presença de nomes de oficiais em planilhas de despesas reforça a suspeita de um canal estruturado de influência. O objetivo seria dificultar fiscalizações e obter vantagens competitivas e institucionais por meio de contatos privilegiados na instituição.
