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Segurança

Investigação do Ministério Público aponta lista de propina para delegacias de São Paulo

Operação Janus investiga rede que lavava dinheiro para o crime organizado e aponta pagamentos a unidades da Polícia Civil.

Por Redação Diário Local

O Ministério Público do Estado de São Paulo (MPSP) investiga uma rede suspeita de realizar pagamentos de propina para unidades da Polícia Civil paulista. De acordo com a representação do órgão, conversas entre operadores financeiros do Primeiro Comando da Capital (PCC) mencionam o pagamento a quatro instituições: o 13° Distrito Policial (Casa Verde), o 39° Distrito Policial (Vila Gustavo), o Departamento Estadual de Investigações Criminais (Deic) e uma Seccional da zona norte.

A investigação faz parte da Operação Janus, deflagrada na manhã desta terça-feira (21). O objetivo da ação é desarticular uma rede de lavagem de dinheiro que utilizava um “banco paralelo” para conferir aparência de legalidade a recursos do crime organizado.

Como funcionava o esquema de pagamentos?

De acordo com o MPSP, os criminosos utilizavam um sistema de códigos para esconder os valores reais nas mensagens. Eles omitiam o último dígito dos montantes, mencionando, por exemplo, pagamentos de R$ 7,5 mil e R$ 15 mil destinados às delegacias.

As investigações indicam que os operadores financeiros utilizavam empresas de fachada para realizar transferências eletrônicas, tentando camuflar a origem do dinheiro. Em um dos casos registrados, um investigado teria recebido ordens para separar R$ 50 mil com a finalidade de pagar agentes da polícia.

Áudios obtidos pela investigação também mostram pedidos de liberação de R$ 100 mil para um suposto pagamento ao Deic. Em outro registro, um dos investigados mencionou que agentes do setor de crimes cibernéticos da unidade estariam tentando obter R$ 300 mil.

O que diz a Operação Janus?

A Operação Janus, deflagrada na manhã de terça-feira (21), foca na atuação de operadores financeiros que movimentam recursos para o PCC. Os alvos são suspeitos de converter dinheiro em espécie em transferências bancárias e circular valores atribuídos à facção.

A Vara Estadual de Organizações Criminosas e Lavagem de Bens, Direitos e Valores expediu 18 mandados de prisão preventiva e 18 de busca e apreensão. Até o momento, 11 suspeitos foram presos, enquanto cinco permanecem foragidos.

Entre os detidos estão Bruno Ramos Fernandes e Robson Martins de Souza. A Secretaria da Segurança Pública (SSP) ainda não se pronunciou sobre os fatos reportados pela investigação.

Produzido pela redação do Diário Local com apoio de automação editorial, sob curadoria e revisão de Davy Albuquerque, editor responsável.