Jornalistas questionam retratação de emissora sobre mobilização para retirada de título de padroeira
Profissionais alegam que apuração sobre movimentação religiosa estava correta e contestam decisão da emissora de emitir errata
Por Redação Diário Local
Jornalistas estão questionando a decisão de uma emissora de TV de publicar uma retratação sobre declarações envolvendo o título de padroeira de Nossa Senhora Aparecida. A controvérsia surgiu após a emissora corrigir uma fala da comentarista Maria Cristina Fernandes sobre uma suposta mobilização de setores evangélicos para retirar o título da santa.
A emissora emitiu um pedido de desculpas na madrugada de sexta-feira (25) esclarecendo que a proposta de retirar o título de padroeira foi apresentada em dezembro de 2007 pelo então deputado federal Professor Victório Galli e arquivada em agosto de 2008. A correção ocorreu após o posicionamento de Fernandes ser associado nas redes sociais ao candidato Flávio Bolsonaro (PL), embora não exista projeto de autoria dele sobre o tema.
Durante o programa Em Pauta, na noite de quinta-feira (24), a comentarista afirmou que havia um movimento na Igreja Católica de reação a uma parcela de evangélicos que estaria mobilizando um projeto de lei para retirar a condição de padroeira de Nossa Senhora Aparecida. Segundo a comentarista, a medida poderia ter efeito entre os católicos a favor de Lula.
O jornalista Guga Noblat defendeu a informação de Fernandes, sustentando que a fala era baseada em bastidores de arcebispos preocupados com a possibilidade de Flávio Bolsonaro ressuscitar a proposta antiga. Já o jornalista investigativo Paulo Motoryn também contestou a errata, afirmando que a apuração tratava da percepção de católicos sobre um possível compromisso político do candidato.
Manifestações religiosas e institucionais
O episódio também repercutiu no meio religioso. Neste sábado (26), o bispo diocesano de Piracicaba (SP), dom Devair Araújo da Fonseca, criticou a circulação de notícias falsas relacionadas à devoção religiosa. O bispo afirmou que a Igreja "não tem partido" e que a disseminação de informações incorretas sobre temas de fé causa tristeza e surpresa aos fiéis.
No governo federal, o coordenador-geral de Estratégia e Informação da Secretaria de Comunicação Social (Secom), George Marques, chegou a republicar, na sexta-feira (25), uma mensagem que orientava usuários a não divulgarem a retratação da emissora e deixarem o assunto "rolar". O conteúdo foi apagado logo em seguida.
Marques declarou que não concordava com o teor da mensagem e que a republicação teria ocorrido por engano. Em nota, a Secom afirmou que a manifestação em perfil pessoal não representa a posição da secretaria e classificou como inadequado o uso de contas particulares para conteúdos que possam gerar confusão com posicionamentos institucionais.
