Justiça do DF decide se técnicos de enfermagem irão a júri por mortes em UTI de hospital em Taguatinga
Fase de coleta de provas termina e juiz analisa se há indícios para mandar os três réus a julgamento popular por mortes em hospital.
Por Redação Diário Local
A Justiça do Distrito Federal deve decidir nos próximos dias se os técnicos de enfermagem Marcos Vinícius Silva Barbosa de Araújo, Amanda Rodrigues de Sousa e Marcela Camilly Alves da Silva irão a julgamento pelo Tribunal do Júri. A fase de instrução, que incluiu a coleta de provas e depoimentos, foi concluída na última quinta-feira (25).
Os acusados foram denunciados pelas mortes de três pacientes ocorridas entre novembro e dezembro de 2025 na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) do Hospital Anchieta, em Taguatinga. O Ministério Público do Distrito Federal (MPDFT) apresentou denúncia por homicídio doloso e cinco tentativas de homicídio.
Com o fim da fase de coleta de provas, o juiz responsável analisará as alegações finais para determinar o desfecho do processo. Entre as possibilidades estão a pronúncia (quando os réus vão a júri), a impronúncia (encerramento por falta de provas), a desclassificação do crime para outra natureza ou a absolvição sumária.
O que dizem os depoimentos dos técnicos
Durante a fase de instrução, foram ouvidas mais de 32 testemunhas. No Tribunal de Taguatinga, os três técnicos de enfermagem foram os últimos a prestar depoimento, e nenhum deles admitiu a participação nas mortes relatadas.
Marcos Vinícius detalhou o contato que teve com as vítimas, mas afirmou que elas apresentaram piora no quadro clínico. A técnica Marcela Camilly declarou que não tinha conhecimento do ocorrido com os pacientes e afirmou que confiava no treinamento do colega.
Já a técnica Amanda Rodrigues de Sousa afirmou que esperava que o colega assumisse a responsabilidade pelos fatos. Ela relatou ainda estar sofrendo ameaças de morte no presídio onde se encontra detida.
Investigação e provas do caso
A investigação da Polícia Civil do Distrito Federal (PCDF) utilizou imagens das câmeras de segurança do Hospital Anchieta para embasar a denúncia. As gravações mostram o momento em que o técnico Marcos Vinícius utilizava o login de uma médica para prescrever substâncias e aplicar injeções intravenosas nos pacientes.
As investigações apontaram que o grupo aplicou doses de medicamentos que provocaram paradas cardíacas em três pessoas: João Clemente Pereira, de 63 anos; Marcos Moreira, de 33; e a professora Miranilde Pereira da Silva, de 75. Em um dos casos, a investigação indicou o uso de desinfetante.
Os técnicos de enfermagem estão presos desde 12 de janeiro e aguardam a decisão judicial sobre o prosseguimento do caso.
