Justiça mantém suspensão de empresas investigadas por tráfico humano em operação da PF
Justiça Federal de Corumbá mantém interrupção de atividades de transportadora e confecção ligadas à Operação Libertad
Por Redação Diário Local
A Justiça Federal de Corumbá manteve a suspensão das atividades da Cooperativa La Tortuga Veloz e da MRM Confecções e Comércio de Roupas. As empresas, sediadas em São Paulo, são investigadas pela Operação Libertad, da Polícia Federal, por suspeita de integrar uma rede de tráfico de migrantes bolivianos.
A investigação apura a atuação de uma organização criminosa que promovia a entrada irregular de bolivianos no Brasil pela fronteira de Corumbá (MS), com destino ao estado de São Paulo. Segundo a Polícia Federal, parte dos migrantes era encaminhada para oficinas de costura, onde seriam submetidos a trabalho em condições análogas à escravidão.
O que diz a investigação sobre as movimentações financeiras
As apurações identificaram aproximadamente R$ 2,4 milhões em movimentações financeiras envolvendo o transporte de passageiros e o setor de confecções. No caso da MRM Confecções, relatórios de inteligência financeira apontam que uma sócia de nacionalidade boliviana movimentou R$ 953.155 entre agosto e outubro de 2022.
A Polícia Federal identificou que esse montante é incompatível com a capacidade econômica da investigada, que não possuía registro profissional ou participação formal em sociedades identificadas. Os valores recebidos eram rapidamente transferidos, de forma fracionada, para pessoas físicas e jurídicas sem relação comercial aparente.
A defesa das empresas solicitou a revogação da suspensão, alegando prejuízos financeiros e falta de provas concretas. Embora o Ministério Público Federal não tenha se oposto à retomada das atividades, o magistrado decidiu manter a restrição devido aos indícios financeiros e à circulação rápida de recursos no setor.
Suspeitas contra transportadora
A Cooperativa de Transporte e Turismo La Tortuga Veloz é alvo de investigação por oferecer viagens entre Porto Quijarro, na Bolívia, e São Paulo, passando por Corumbá. A empresa não possuía autorização da Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) para realizar o transporte coletivo rodoviário.
Análises financeiras detectaram conexões entre o responsável pela cooperativa e outras empresas investigadas. Entre os dados apurados, destaca-se que a Kadu Turismo, empresa sediada em Corumbá, recebeu R$ 1.459.505 em créditos durante um período de 192 dias, sendo que parte desse valor foi enviada pelo responsável da La Tortuga Veloz.
Além disso, a Polícia Federal identificou anúncios em redes sociais onde o responsável pela transportadora garantia a entrada dos passageiros no território brasileiro. A Operação Libertad foi deflagrada originalmente em 24 de setembro de 2024, visando desarticular a rota de migração ilegal na fronteira.
