Diário Local
Justiça

Mãe de Kathlen Romeu pede apoio da sociedade para julgamento de policiais no Tribunal do Júri

Mãe da jovem morta em 2021 aguarda julgamento de militares para o dia 26 de novembro; caso envolve morte de gestante e bebê.

Por Redação Diário Local

A mãe de Kathlen Romeu, Jacklline de Oliveira, pede o apoio da sociedade civil para o julgamento dos policiais militares envolvidos na morte da jovem e de seu bebê. Os agentes Rodrigo Correia de Frias e Marcos Felipe da Silva Salviano serão julgados no Tribunal do Júri no próximo dia 26 de novembro (26), às 10h.

O caso remonta a junho de 2021, quando Kathlen, que estava grávida de quatro meses, e sua avó, Sayonara de Oliveira, foram atingidas por disparos de arma de fogo enquanto caminhavam em uma rua no Lins de Vasconcelos, na Zona Norte do Rio de Janeiro. De acordo com a denúncia do Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro (MPRJ), os policiais militares dispararam em direção ao local onde elas estavam.

Jacklline de Oliveira relatou que a espera pelo julgamento, que já dura cinco anos, é um processo doloroso. Para ela, a condenação dos agentes é essencial para que a memória de sua filha seja respeitada e para que outros jovens não passem pelo mesmo destino.

O histórico do processo judicial

Os policiais militares investigados chegaram a ser absolvidos da acusação de fraude processual na Justiça Militar. No entanto, após recurso da promotoria, eles foram condenados pela 6ª Câmara Criminal do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro (TJRJ).

Atualmente, os agentes respondem pelo crime em liberdade e, segundo informações da corporação, encontram-se afastados de suas funções. A defesa dos militares não respondeu aos contatos feitos para comentar o caso.

A família também relatou episódios de dificuldades durante a investigação. Em 2022, Jacklline e o professor Luciano Gonçalves denunciaram à Corregedoria-Geral do MPRJ que o promotor responsável pelo caso teria sugerido o arquivamento do processo na época. A Corregedoria abriu um procedimento administrativo para investigar a conduta, mas o processo foi arquivado por falta de provas contra o promotor.

Letalidade policial no Rio de Janeiro

O caso de Kathlen Romeu ocorre em um contexto de alta letalidade policial no estado. Dados do Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FBSP) indicam que a polícia fluminense matou 798 pessoas em 2025, o que representa quase 20% das mortes violentas intencionais no Rio de Janeiro naquele ano.

O estado ocupa a sexta posição no ranking nacional de letalidade por ação policial, atrás de Amapá, Bahia, Sergipe, Pará e Goiás. Segundo o levantamento, o perfil das vítimas de intervenção policial no Brasil é majoritariamente de homens jovens, negros, entre 15 e 24 anos.

Sobre o controle da violência, o governo do Rio de Janeiro informou que realiza cursos e treinamentos para o aprimoramento da atuação policial. O Ministério Público Federal, contudo, classificou as medidas como insuficientes e defende um plano com metas e prazos definidos.

Produzido pela redação do Diário Local com apoio de automação editorial, sob curadoria e revisão de Davy Albuquerque, editor responsável.