Metrô-DF enfrenta descarrilamentos, incêndios e lotação apesar de investimento de R$ 1 bilhão
Sistema metroviário registra aumento de incidentes e falhas em equipamentos, como elevadores e trens, segundo especialistas e parlamentares
Por Redação Diário Local
O sistema de transporte do Metrô-DF tem registrado uma série de problemas operacionais, que incluem descarrilamentos, incêndios em vagões e falhas recorrentes em equipamentos das estações. Especialistas e parlamentares associam o cenário ao sucateamento do sistema e à falta de investimentos direcionados à manutenção da frota atual.
Na semana passada, um descarrilamento de vagão provocou o fechamento de estações na Asa Sul e a redução da velocidade das locomotivas entre as estações 110 e 112 Sul por pelo menos dois dias. O cenário de instabilidade também afetou a mobilidade de usuários com deficiência: na quinta-feira (30), uma criança de 9 anos caiu em uma escada rolante na estação Ceilândia Sul após os elevadores do local estarem inoperantes.
O que dizem os especialistas e parlamentares?
Para o secretário executivo do Movimento Nacional pelo Direito ao Transporte (Instituto MDT), Wesley Ferro Nogueira, o serviço vem se degradando. Ele aponta que, embora haja projetos de expansão da rede, o nível de investimento na manutenção do sistema de trilhos e na frota operante não acompanhou o crescimento da população.
Nogueira ressalta que o descarrilamento recente evidencia riscos reais aos usuários. Segundo o especialista, a falta de investimento na qualificação da frota e nos sistemas de sinalização e comunicação compromete a eficiência do modal.
O deputado Max Maciel, presidente da Comissão de Transporte e Mobilidade Urbana da Câmara Legislativa (CTMU/CLDF), afirmou que o Metrô-DF passa por um processo de abandono. Ele destacou que a frota envelhecida e a dificuldade de obter peças de reposição têm levado à prática de utilizar peças de composições paradas para consertar trens em circulação, técnica conhecida como canibalização.
Investimentos e resposta da companhia
Em resposta aos problemas, o Metrô-DF informou que investiu mais de R$ 1 bilhão entre 2023 e julho deste ano. Desse montante, pouco mais de R$ 600 milhões foram destinados à segurança metroviária, abrangendo a manutenção de trilhos e trens.
A companhia também declarou que realiza obras de modernização nos sistemas de energia e de alimentação elétrica. Entre as medidas de expansão, citou a ampliação de trechos em Ceilândia e Samambaia. A previsão é que a modernização do sistema de energia da Linha 1 seja concluída até setembro.
O Tribunal de Contas do Distrito Federal (TCDF) acompanha os contratos de manutenção da empresa. Após auditoria, o órgão determinou que o Metrô-DF implemente, em até 180 dias, um planejamento para a renovação contínua da frota e o aperfeiçoamento dos planos de manutenção.
