Minas Gerais concentra quase um terço das barragens de mineração em alerta ou emergência no Brasil
Estado possui 28 estruturas em situação de risco segundo a ANM; Serra Azul, em Itatiaiuçu, é a única do país no nível 3
Por Redação Diário Local
Minas Gerais concentra quase uma em cada três barragens de mineração em situação de alerta ou emergência no Brasil. Das 87 estruturas classificadas nessas condições pela Agência Nacional de Mineração (ANM), 28 estão localizadas no estado.
Das estruturas mineiras, seis estão em nível de alerta e 22 em nível de emergência. Dentro das classificações de emergência, 16 estão no nível 1, cinco no nível 2 e uma no nível 3. A barragem Serra Azul, no município de Itatiaiuçu, é a única estrutura do país que figura no Nível de Emergência 3, o estágio mais grave previsto pela legislação.
A classificação de alerta e emergência funciona como um termômetro de risco para as estruturas. O nível de alerta indica que a barragem necessita de um acompanhamento mais próximo pelos órgãos responsáveis.
Já os níveis de emergência (1, 2 e 3) apontam situações que exigem medidas de segurança cada vez mais rigorosas. Segundo a ANM, a classificação indica a necessidade de monitoramento e providências, mas não significa, por si só, que haverá rompimento.
Em Minas Gerais, existem 191 barragens que fazem parte da Política Nacional de Segurança de Barragens (PNSB). Essas estruturas, devido ao porte, características ou localização, precisam seguir regras mais rigorosas de fiscalização e monitoramento.
O estado também possui um histórico de grandes desastres envolvendo mineração. Em novembro de 2015, o rompimento da barragem de Fundão, em Mariana, causou 19 mortes e um desastre ambiental na bacia do Rio Doce. Já em janeiro de 2019, o rompimento da barragem da Mina Córrego do Feijão, em Brumadinho, resultou na morte de 272 pessoas.
Situação da barragem Serra Azul
A barragem Serra Azul, da ArcelorMittal Brasil, em Itatiaiuçu, permanece como o principal ponto de atenção por estar no nível máximo de emergência. Em maio de 2025, um acordo firmado entre o Ministério Público Federal (MPF), o Ministério Público de Minas Gerais (MPMG), a ArcelorMittal, a Prefeitura de Itatiaiuçu e representantes de atingidos previa o pagamento de cerca de R$ 436,7 milhões para reparar danos coletivos nas comunidades de Pinheiros, Vieiras e Lagoa das Flores.
A estrutura de Serra Azul entrou em situação de emergência em 2019, quando a ANM declarou o Nível de Emergência 2. Na ocasião, a empresa acionou o Plano de Ação de Emergência para Barragens de Mineração (PAEBM) e iniciou a retirada de moradores da Zona de Autossalvamento (ZAS).
Caso Morro Agudo Minerais
A empresa Morro Agudo Minerais também comunicou que suas barragens 1, 2 e 3 foram classificadas em Nível de Emergência 1. De acordo com a companhia, a medida tem caráter preventivo e decorre exclusivamente de pendências de natureza documental junto aos órgãos reguladores.
A Morro Agudo Minerais afirmou que as estruturas estão estáveis, sob monitoramento contínuo e que não há risco para as comunidades próximas. Segundo a empresa, não há atividade de extração ou movimentação de material nas barragens no momento.
A companhia informou que, durante o mês de agosto de 2026, está providenciando a compilação de informações técnicas para buscar a reversão do nível de emergência da Barragem 1. As ações visam atender às solicitações da ANM e regularizar as pendências documentais e regulatórias.
