Diário Local
Campinas

Polícia investiga morte de idosa após cirurgia feita por engano em hospital de Campinas

Jandira Marina Dias Braga, de 76 anos, faleceu três dias após ser submetida a procedimento errado no Hospital Beneficência Portuguesa.

Por Redação Diário Local

A Polícia Civil investiga a morte de Jandira Marina Dias Braga, de 76 anos, que faleceu três dias após ser submetida a uma cirurgia destinada a outro paciente no Hospital Beneficência Portuguesa, em Campinas (SP). O erro médico ocorreu na noite de 8 de junho (2026).

Jandira estava internada para tratar uma obstrução no intestino, causada pelo retorno de um câncer de cólon. A troca de pacientes foi identificada por funcionários durante a passagem de plantão, após a conferência da pulseira de identificação da idosa.

A paciente deu entrada no pronto atendimento da unidade na sexta-feira (7) com dores abdominais. Na noite de sábado (8), ela passou por uma gastrostomia endoscópica — procedimento que abre um acesso no estômago para colocação de sonda — em vez de receber o tratamento previsto para sua condição.

Segundo relatos da família, a idosa apresentou confusão mental, queda na saturação de oxigênio e alteração do ritmo cardíaco na manhã de domingo (9). Ela foi transferida para a Unidade de Tratamento Intensivo (UTI) e morreu às 19h30 de terça-feira (11).

O Hospital Beneficência Portuguesa admitiu o erro e informou que adotou medidas administrativas, incluindo a demissão de profissionais envolvidos. A instituição abriu uma sindicância interna e afirmou que uma avaliação técnica concluiu que o procedimento não alterou o prognóstico da paciente.

A família contesta a visão do hospital e afirma que o quadro de saúde de Jandira decaiu logo após a cirurgia. A neta da vítima registrou o caso na Polícia Civil nesta quinta-feira (23) e pretende acionar a Justiça para responsabilizar os envolvidos.

A Polícia Civil instaurou inquérito no 1º Distrito Policial de Campinas para investigar o caso como homicídio culposo, que ocorre quando não há intenção de matar. Os investigadores apuram se a cirurgia realizada por engano teve relação direta com o óbito.

O Conselho Regional de Medicina do Estado de São Paulo (Cremesp) e o Conselho Regional de Enfermagem de São Paulo (Coren-SP) também abriram investigações para apurar a conduta dos médicos e enfermeiros que atuaram no atendimento.

Produzido pela redação do Diário Local com apoio de automação editorial, sob curadoria e revisão de Davy Albuquerque, editor responsável.