Nova espécie de cobra-cega descoberta no Rio de Janeiro homenageia nome de mulher escravizada
Espécie de anfíbio recebeu nome em homenagem a mulheres escravizadas que ajudaram no reflorestamento da Floresta da Tijuca.
Por Redação Diário Local
Pesquisadores identificaram uma nova espécie de cecília, um tipo de anfíbio popularmente conhecido como cobra-cega, no estado do Rio de Janeiro. O animal recebeu o nome científico de Siphonops maria, uma homenagem a mulheres escravizadas que participaram do reflorestamento da Floresta da Tijuca entre 1861 e 1874.
A nova espécie foi identificada por meio de análises genéticas e de microtomografia de alta resolução, que permitiram diferenciar o animal de outros grupos similares. O exemplar de referência, chamado de holótipo, foi coletado em 2015 no Parque Nacional da Serra dos Órgãos e está guardado no Museu Paraense Emílio Goeldi.
A escolha do nome busca tanto popularizar o conhecimento sobre o anfíbio quanto prestar tributo histórico. A espécie homenageia uma mulher escravizada que fazia parte de um grupo de 11 pessoas responsáveis pelo plantio de mais de 100 mil árvores na região da Floresta da Tijuca.
Como a nova espécie foi identificada?
As cecílias possuem hábitos fossoriais, o que significa que vivem majoritariamente debaixo da terra. Por terem olhos reduzidos e visão limitada, a diferenciação entre as espécies a olho nu é muito difícil, já que as características externas são muito parecidas.
O uso de ferramentas tecnológicas foi fundamental para o estudo. A microtomografia permitiu visualizar detalhes sutis no crânio do animal, enquanto o sequenciamento de genes confirmou que se tratava de uma linhagem diferente da espécie Siphonops hardyi, com a qual era confundida inicialmente.
Além da nova descoberta, o trabalho de pesquisa também promoveu uma reorganização biológica. Os pesquisadores observaram que o gênero Luetkenotyphlus não se distinguia do gênero Siphonops, passando a ser considerado um sinônimo deste último.
Desafios na pesquisa científica
Os cientistas ressaltaram que o trabalho de identificação ainda depende da reunião de vários exemplares para comparação, processo que pode levar anos. Além disso, a pesquisa enfrenta obstáculos relacionados à guarda de materiais científicos em instituições do exterior.
No caso da espécie Siphonops hardyi, pesquisadores tentaram obter amostras de tecido de exemplares coletados no Brasil no século 19 e armazenados no Museu de História Natural de Londres, no Reino Unido, mas não receberam autorização para o procedimento.
