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Onça resgatada de cativeiro em Copacabana está entre 989 animais presos em centro do Ibama fechado por tuberculose

Unidade em Seropédica acolhe onça-parda macho resgatada em 2023 e outras espécies; surto matou três primatas e suspendeu entrada e saída de bichos.

Por Diário Local

Uma onça-parda macho, com três anos de idade, resgatada pela Polícia Federal de um cativeiro improvisado no Morro Pavão-Pavãozinho, em Copacabana, na Zona Sul do Rio, em 2023, está entre os 989 animais acolhidos no Centro de Triagem de Animais Silvestres (Cetas-RJ), em Seropédica, na Baixada Fluminense. A unidade, única do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente (Ibama) no Rio de Janeiro capacitada para reabilitar e devolver à natureza aves, mamíferos e répteis, está temporariamente fechada e impedida de receber resgates e apreensões por conta de um surto de tuberculose que atingiu parte da população de macacos-prego.

Pelo menos três primatas morreram pela doença. Por conta disso, a entrada e a saída de animais foram suspensas no dia 18 de maio. A onça foi apreendida quando ainda era filhote, e, segundo a investigação da época, o animal seria vendido por R$ 20 mil, operação proibida por lei. A apreensão aconteceu após trabalho de inteligência da Polícia Federal em conjunto com a Força Especial de Controle de Divisas (Operação Foco), além da participação da Polícia Militar do Estado do Rio de Janeiro e da colaboração de moradores da comunidade.

Além do felino resgatado em Copacabana, outra onça-parda, fêmea e com três anos de idade, também está acolhida no Cetas-RJ. Cada um dos animais consome seis quilos de carne por dia. As duas onças e 20 macacos-prego fazem parte de uma lista de animais para os quais deverá ser buscada uma destinação pelo Instituto Estadual do Ambiente (Inea-RJ) e pelo governo estadual.

Acordo não cumprido e fechamento

No dia 25 de julho de 2024, um acordo judicial envolvendo o Inea e o Ibama foi assinado pelas partes. Entre os compromissos estava a responsabilidade de o estado fornecer ração, alimentos e medicamentos, além de contratar exames laboratoriais — despesas que, segundo o órgão, superam R$ 3 milhões anuais. O acordo também estabelecia que o estado deveria alocar temporariamente no Cetas-RJ um veterinário, um biólogo e um auxiliar administrativo, além de buscar destinação para os 20 macacos-prego e duas onças-pardas.

O Ibama alegou que, até agora, quase nada foi cumprido. Por conta disso, no dia 29 de abril de 2026, a instituição fechou o Cetas-RJ para o recebimento de animais apreendidos pelas autoridades estaduais. Vinte dias depois, houve o surto de tuberculose, e a unidade acabou sendo totalmente fechada e impedida de receber qualquer animal.

Confirmação da doença e protocolos de segurança

Análises feitas com apoio da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) e da Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro (UFRRJ) confirmaram a tuberculose como causa da morte dos três macacos-prego. A suspeita é de que algum dos primatas tenha entrado no local já contaminado entre 2024 e 2025. Um dos animais mortos foi resgatado em Petrópolis e encaminhado pelo Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio). Outro foi apreendido em Mangaratiba pela Polícia Federal. Um terceiro foi recolhido por agentes da Polícia Rodoviária Federal em Piraí.

Como se trata de uma doença contagiosa, animais e funcionários estão sendo testados para tuberculose. Segundo Rogério Rocco, superintendente do Ibama no Rio, um protocolo vermelho, de atendimento de emergência, foi acionado. A unidade foi dividida em zonas, com o estabelecimento de restrições de circulação. Servidores e tratadores passaram a usar equipamentos de proteção individual, como máscaras do tipo N95, que bloqueiam partículas suspensas no ar, incluindo bactérias e poeira.

Rocco informou que foram realizados cerca de 50 testes com apoio da Prefeitura de Seropédica e da Secretaria de Saúde. Um primeiro teste deu positivo, apontando que essas pessoas tiveram contato com a bactéria, mas, no segundo exame, foi confirmado que nenhuma delas desenvolveu a doença. "Nenhum ser humano foi afetado", explicou o superintendente. A previsão é que testes por amostragem sejam realizados nos próximos dias em alguns dos macacos remanescentes, atualmente distribuídos por oito recintos.

Procurado, o Inea alegou que ainda não foi notificado pelo Ibama e que vem atuando no cumprimento das obrigações assumidas no acordo. O órgão informou ainda que, desde setembro de 2024, disponibilizou profissionais para atuação direta no Cetas-RJ, nas áreas administrativa, biológica e médico-veterinária. Sobre o fechamento do centro de triagem, o Inea alegou que, no momento, os casos envolvendo resgates de animais estão sendo realocados emergencialmente de acordo com a situação, a quantidade de animais, a região geográfica e o perfil patológico.

Revisado por Davy Albuquerque, editor responsável.