Polícia mira esquema de anabolizantes que fabricava substâncias em cozinhas e usava óleo de cozinha
Investigação revela fabricação artesanal de produtos com substâncias ocultas e uso de óleo de cozinha em processos sem higiene.
Por Redação Diário Local
A Polícia Civil do Distrito Federal (PCDF) deflagrou a Operação Narciso para combater uma rede criminosa especializada na fabricação e comercialização de anabolizantes e medicamentos controlados. A investigação revelou que as substâncias eram produzidas de forma artesanal em locais sem higiene, utilizando ingredientes como óleo de cozinha comum para aumentar o rendimento dos produtos.
A ação faz parte de um esforço para desarticular o mercado clandestino de produtos "underground". Segundo a investigação, o grupo operava em oito estados, além do Distrito Federal, com ligações diretas para a fabricação de insumos no Paraguai.
Como funcionava a fabricação clandestina?
A investigação conduzida pela Divisão de Defesa do Consumidor da PCDF detalhou o método denominado "cozimento". Esse processo consiste na fabricação de substâncias injetáveis e orais em cozinhas residenciais, fundos de quintal e depósitos, utilizando fogo alto e sem qualquer assepsia ou controle sanitário.
Para maximizar os lucros, os criminosos utilizavam aditivos perigosos, como óleo de cozinha e óleos de semente de uva ou arroz sem esterilidade. Além disso, produtos como o termogênico Mega Burner e o Yellow B continham substâncias ocultadas dos consumidores, incluindo o clembuterol (medicamento de uso veterinário para equinos), a sibutramina (inibidor de apetite), fluoxetina, bupropiona e diuréticos.
A ausência de controle técnico nas misturas pode causar reações alérgicas, infecções severas e abscessos. A viscosidade inadequada e a presença de impurezas nos óleos podem provocar embolias, tromboses e infecções generalizadas (sepse), podendo levar à morte.
Impactos na saúde e estrutura do grupo
O uso contínuo dessas substâncias clandestinas está associado a riscos cardiovasculares, aumento da pressão arterial, acidente vascular cerebral (AVC), hipertrofia cardíaca e impotência sexual. A polícia registrou, inclusive, o óbito de uma fisiculturista em Samambaia em decorrência de problemas relacionados ao uso desses produtos.
O esquema contava com a participação de diversos profissionais, como nutricionistas, biomédicos, veterinários, personal trainers e influenciadores digitais. De acordo com o delegado Rodrigo Carbone, o grupo atua em um submundo que representa cerca de 80% do mercado de esteroides.
A Justiça expediu 43 mandados de prisão, entre preventivas e temporárias, além de 64 mandados de busca e apreensão. Foi determinado o bloqueio de R$ 32 milhões em ativos financeiros e a quebra de sigilo bancário de 58 alvos. A operação também resultou no lacre de mais de 20 estabelecimentos e na retirada de 30 sites de venda ilegal do ar.
