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Homem sancionado pelos EUA por elo com PCC é condenado por lavar R$ 35 milhões em 11h

Victor Henrique de Oliveira Shimada foi condenado a 3 anos de prisão por lavagem de dinheiro após receber cifra gigantesca via transferências bancárias em menos de meio dia.

Por Diário Local

Victor Henrique de Oliveira Shimada, alvo de sanções do Departamento do Tesouro dos Estados Unidos nesta quarta-feira (1º/7) por vínculo com o Primeiro Comando da Capital (PCC), foi condenado pela Justiça Federal de São Paulo em julho de 2025 por lavagem de dinheiro. Ele recebeu R$ 35 milhões de uma conta do Banco Votorantim por meio de 2.799 transferências realizadas em apenas 11 horas para uma conta em nome da Victory Trading, empresa que lhe pertence.

O juiz Massimo Palazzolo, da 4ª Vara Criminal Federal de São Paulo, condenou Shimada a 3 anos de prisão por lavagem de dinheiro. O Ministério Público o havia denunciado também por furto qualificado, mas a Justiça o absolveu dessa acusação. Na denúncia, o órgão afirmava que Shimada utilizou sua empresa para "aplicar o dinheiro espúrio em atividades financeiras, notadamente na compra de criptomoedas, com o escopo de ocultar e dissimular a origem dos recursos obtidos de maneira ilícita". Durante o julgamento, Shimada alegou ser inocente.

Shimada foi preso em dezembro de 2024 e permaneceu detido por menos de um mês. O espaço segue aberto para manifestação de sua defesa.

Intermediária em escândalo do Corinthians

A Victory Trading é alvo de investigação por suspeita de desvio de dinheiro no escândalo da Vai de Bet no Corinthians. A empresa funcionava como intermediária em uma rede de transferências que dificultava o rastreio dos valores.

O governo americano lembrou que Shimada foi preso em janeiro de 2025 pela Polícia Federal por "lavar dinheiro ilícito de um clube de futebol brasileiro em um esquema fraudulento de patrocínio". Ele foi solto duas semanas após a prisão.

As investigações sobre a lavagem de dinheiro envolvendo o clube paulista começaram a partir da delação de Vinícius Gritzbach, assassinado em novembro de 2024 no Aeroporto Internacional de São Paulo, em Guarulhos. A operação fraudulenta envolvia a empresa UJ Football, criada para representar atletas e mencionada na delação contra o PCC.

Em janeiro de 2024, o Corinthians anunciou um patrocínio da empresa de apostas Vai de Bet no valor de R$ 370 milhões por três anos. Meses depois, investigadores descobriram que parte desse valor, cerca de R$ 25 milhões, seria transferida a uma empresa intermediária que percorria uma rede de empresas até chegar à UJ Football.

Elo entre Brasil e Flórida

Segundo o Departamento do Tesouro dos EUA, a rede de lavagem de dinheiro do PCC operava a partir de dois locais principais: Flórida (EUA) e São Paulo. Shimada, residente em São Paulo, é descrito pelo governo americano como um "elo fundamental" entre agentes do PCC baseados na Flórida e traficantes de drogas estrangeiros.

Shimada e sua organização lavaram mais de US$ 30 milhões em lucros ilícitos gerados em diversas cidades dos Estados Unidos. Para isso, utilizavam criptomoedas para transferir fundos de volta ao Brasil em nome do PCC.

Em janeiro de 2026, o FBI prendeu seis membros do grupo que operava na Flórida por suspeita de lavagem de dinheiro ligada à mesma rede. Segundo o Departamento do Tesouro, esse grupo era liderado por Shimada e por Stella Stefanie Nunes Henrique de Oliveira, que também foi alvo das sanções anunciadas nesta quarta-feira.

Stella Stefanie, descrita como parente de Shimada, atuava como intermediária na coleta de grandes quantias em dinheiro e fornecia "serviços logísticos essenciais" para a rede de lavagem, segundo o Departamento do Tesouro.

Shimada também se envolveu em outros crimes financeiros além da lavagem de dinheiro proveniente do narcotráfico.

Alcance das sanções americanas

O Departamento do Tesouro dos Estados Unidos sancionou nesta quarta-feira dois brasileiros, três empresas brasileiras e uma empresa portuguesa supostamente ligadas ao PCC. Os alvos das sanções são Victor Henrique de Oliveira Shimada, Stella Stefanie Nunes Henrique de Oliveira, Victory Trading Intermediação de Negócios Cobranças e Tecnologia Ltda, Pixwave Soluções de Pagamentos Ltda, Wave Construções Inteligentes Ltda e Avenidas Flutuantes Unipessoal Ltda (Portugal).

Com a decisão, todos os bens e ativos pertencentes aos alvos nos Estados Unidos ficam bloqueados. Cidadãos e empresas americanas ficam proibidos de fazer negócios com eles. Caso instituições financeiras estrangeiras continuem a realizar transações com os alvos, ficam sujeitas a sanções secundárias impostas pelo governo americano.

Revisado por Davy Albuquerque, editor responsável.