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Justiça

Justiça condena pesquisador da USP a 12 anos de prisão por estupro e morte de estudante

Tribunal de Justiça de São Paulo revisou sentença e condenou Felipe Ramos pelo crime ocorrido em 2020 na universidade

Por Redação Diário Local

O Tribunal de Justiça de São Paulo condenou um pesquisador da Universidade de São Paulo (USP) a 12 anos de prisão pelo estupro de vulnerável que resultou na morte de uma estudante de graduação da instituição. O crime ocorreu em 2020.

A decisão da 14ª Câmara de Direito Criminal revisou uma sentença de primeira instância que havia absolvido o réu por falta de provas. A relatora do caso, a desembargadora Fátima Gomes, afirmou que os relatos da jovem antes de morrer foram consistentes e confirmados por testemunhas, documentos médicos e laudos periciais.

A estudante morreu dias após o ocorrido, após desenvolver uma grave infecção na região genital que evoluiu para septicemia (infecção generalizada).

Como ocorreu o crime

De acordo com a investigação, os dois se conheceram em 5 de fevereiro de 2020, no restaurante universitário. O homem, que era aluno da pós-graduação em Geografia Humana, convidou a estudante, que cursava Biologia, para ir até o seu apartamento no Conjunto Residencial da USP (Crusp).

A acusação acolhida pela Justiça aponta que o pesquisador entregou à jovem um copo de cerveja contendo uma substância química. Após ingerir a bebida, a estudante perdeu a consciência e ficou incapaz de reagir, momento em que teria ocorrido o estupro.

Na manhã seguinte, a vítima deixou o local assustada. Nos dias seguintes, ela relatou a familiares e amigos que acreditava ter sido dopada e abusada. A estudante também passou a apresentar dores, febre e inchaço na região genital.

Provas e decisão judicial

No dia 17 de fevereiro de 2020, a estudante procurou atendimento médico e foi encaminhada ao Hospital Pérola Byington. Quatro dias depois, ela faleceu em decorrência da infecção generalizada.

Embora a vítima não tenha sido ouvida em juízo por ter falecido, os desembargadores consideraram que sua narrativa foi reproduzida de forma consistente. Relatos de amigos, bem como os depoimentos de médicas e psicólogas que a atenderam no hospital, deram suporte à acusação.

A ginecologista que atendeu a paciente relatou a presença de lesões internas e externas na região genital e um forte processo inflamatório. A defesa do investigado sustentou a tese de relação consensual, mas o argumento foi invalidado pela Justiça.

Posicionamento da universidade

Em nota, a USP lamentou o ocorrido e afirmou que se solidariza com vítimas de violência. A instituição informou que o homem não possui mais vínculo com a universidade.

A universidade também declarou que não encontrou registros ou denúncias sobre o caso em seus canais institucionais de atendimento, o que impediu a realização de investigações internas na época.

Produzido pela redação do Diário Local com apoio de automação editorial, sob curadoria e revisão de Davy Albuquerque, editor responsável.