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Investigação

PF conclui que acúmulo de gelo e falhas operacionais causaram queda do avião da Voepass

Laudo pericial detalha que falhas no sistema de degelo e falta de execução de procedimentos pela tripulação levaram ao acidente em Vinhedo

Por Redação Diário Local

A Polícia Federal (PF) concluiu que a queda do avião da Voepass, ocorrida em agosto de 2024, foi causada pelo acúmulo de gelo na aeronave e por falhas operacionais da tripulação. O laudo pericial, apresentado nesta quinta-feira (6), detalha que a perda de controle em voo decorreu da combinação da inoperância do sistema de degelo com a não execução adequada de procedimentos técnicos.

O documento de 200 páginas baseou-se em análises de caixas-pretas do voo PTB-2283, computadores de bordo, registros meteorológicos e vídeos de testemunhas. A investigação aponta que o voo enfrentou condições meteorológicas adversas, com frente fria ativa e formação severa de gelo.

O que causou a falha no sistema?

Segundo o laudo, embora a aeronave contasse com equipamentos anti-gelo, os sistemas registraram falhas tanto no dia do acidente quanto nos três voos realizados anteriormente. A investigação concluiu que diferentes tripulações não seguiram uma determinação técnica sobre a reinicialização do sistema de degelo.

A PF ressalta que a indisponibilidade do equipamento deveria impedir a operação da aeronave naquelas condições climáticas. No entanto, os peritos destacam que não é possível afirmar se o funcionamento adequado do sistema de degelo seria suficiente para evitar o acidente por si só.

Falhas na execução de procedimentos

O relatório aponta que, apesar dos alertas emitidos, a tripulação não executou os procedimentos previstos. De acordo com os peritos, os profissionais mantiveram o foco em tarefas de cabine, comunicação e preparação para o pouso, permanecendo alheios aos alertas de segurança.

A PF informou que a tripulação estava devidamente habilitada, não sendo possível determinar a razão pela qual os protocolos não foram seguidos de forma adequada. Além disso, o laudo detectou uma irregularidade no despacho: a aeronave operou com os limpadores de para-brisa inoperantes, o que deveria ter impedido a decolagem diante da previsão de chuva.

O acidente ocorreu em 9 de agosto de 2024, em Vinhedo, no interior de São Paulo. O avião realizava o trajeto de Cascavel, no Paraná, com destino a Guarulhos, em São Paulo. A queda resultou na morte de 62 pessoas, entre 58 passageiros e 4 tripulantes, sem sobreviventes.

Produzido pela redação do Diário Local com apoio de automação editorial, sob curadoria e revisão de Davy Albuquerque, editor responsável.