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Investigação

Polícia Federal indicia 16 pessoas por acidente da Voepass em Vinhedo (SP)

Relatório aponta cultura de omissão na empresa para não reportar panes em aeronaves antes da queda em Vinhedo (SP)

Por Redação Diário Local

A Polícia Federal indiciou, nesta quinta-feira (6), 16 pessoas pelo crime de atentado contra a segurança do transporte aéreo em razão do acidente com o avião da Voepass, em Vinhedo (SP). O relatório final das investigações apontou uma "cultura de omissão" na empresa para evitar o reporte de panes nas aeronaves.

Os investigados respondem por diferentes artigos do Código Penal, conforme a responsabilidade na cadeia de decisão que liberou a aeronave para o voo. Segundo a Polícia Federal, o avião decolou sob condições de gelo severo e com o sistema de degelo das asas operando com falhas.

Quem são os indiciados

O diretor-presidente da Voepass, José Luiz Felício Filho, foi indiciado por atentado contra a segurança do transporte aéreo, por três vezes, e por sinistro aéreo com resultado de morte. O relatório afirma que ele tinha conhecimento dos problemas técnicos da frota e participava de decisões estratégicas e do comitê de escala de pilotos.

Entre os envolvidos estão o comandante Edson Serra Martins, indiciado por falsidade ideológica. Ele teria relatado problemas verbais na aeronave, mas registrou "nada a declarar" no diário de bordo (TLB), mesmo com o sistema apresentando falhas durante o trajeto entre Guarulhos (SP) e Ribeirão Preto (SP).

Outro comandante, Luciano Alves de Macedo, também foi indiciado por sinistro aéreo com resultado de morte. A perícia indicou que ele acionou o sistema de degelo e enfrentou falhas, mas não fez o reporte adequado no diário técnico durante o voo entre Ribeirão Preto (SP) e Guarulhos (SP).

A lista de indiciados inclui o diretor de manutenção, Carlos Alberto Costa; o diretor de operações, Marcel Sarquis Moura; o diretor de segurança operacional, David da Costa Faria Neto; além de gerentes e chefes de centros de controle e engenharia, como Juliano Flores Pacheco, Tiago Passucci Morani, William Schmidt Agatz e Raphael Limongi de Figueiredo.

Outros profissionais, como o piloto chefe Rafael Gimenez Rodrigues, o despachante operacional Oderlino de Campos Figueiredo, o mecânico Alex de Souza Leandro, o despachante Marcos Hiroyuki Sato e o despachante John Major Viana, também foram indiciados por crimes relacionados à segurança aérea e sinistro com morte.

Posicionamento da empresa

Em nota, a Voepass afirmou que a segurança operacional é sua prioridade e que adota os protocolos da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac). A companhia declarou que os treinamentos de pilotos contemplavam procedimentos para o enfrentamento de condições de gelo.

A empresa reforçou que colabora integralmente com as autoridades, disponibilizando documentos ao Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos (Cenipa) e à Polícia Federal. A Voepass informou que aguardará os desdobramentos processuais e exercerá seu direito de defesa.

Produzido pela redação do Diário Local com apoio de automação editorial, sob curadoria e revisão de Davy Albuquerque, editor responsável.