Polícia Federal investiga origem de suspeita de carga de cocaína em madeira
Perícias concluíram que amostras de madeira apreendidas em MT e MS não continham cocaína, mudando o rumo das investigações.
Por Redação Diário Local
A Polícia Federal (PF) abriu uma nova frente de investigação para apurar quem forneceu informações de que uma carga de madeira apreendida em Mato Grosso e Mato Grosso do Sul estaria impregnada com cocaína. O objetivo é entender quais interesses motivaram a divulgação da suspeita, após perícias oficiais confirmarem que as amostras não continham entorpecentes.
A investigação foi instaurada porque os laudos do Instituto Nacional de Criminalística foram categóricos ao indicar a inexistência de drogas. Segundo os exames realizados em fragmentos da madeira, os resultados foram negativos para cocaína e para qualquer outra substância de interesse forense.
Para garantir a confiabilidade dos laudos, os peritos realizaram testes adicionais utilizando cocaína-padrão nas próprias amostras de madeira. Os experimentos confirmaram que o método utilizado é sensível o suficiente para detectar a droga mesmo em baixas concentrações, mas os testes identificaram apenas compostos naturais de origem vegetal.
Entre as substâncias encontradas nas análises estão o nonanal, o esqualeno, o sitosterol e o cicloeucalenol, elementos comuns em materiais vegetais. A ausência de indícios de substâncias entorpecentes alterou completamente o rumo do caso, que antes era tratado como um grande caso de tráfico.
O que foi a Operação Timber Shield?
A suspeita de que a carga continha cocaína líquida deu origem à Operação Timber Shield, deflagrada na sexta-feira (21). Na ocasião, cerca de 260 toneladas de madeira de aroeira foram retidas nas cidades de Corumbá (MS) e Cáceres (MT), sob suspeita de destino ao tráfico internacional.
A operação envolveu a Receita Federal, o Exército Brasileiro e autoridades dos Estados Unidos e da Bolívia. Na época do desdobramento, a carga chegou a ser anunciada publicamente como a maior apreensão de cocaína já registrada na história do Brasil.
Novos focos de apuração
Com a confirmação de que a madeira estava limpa, a Polícia Federal agora busca identificar a origem dos dados de inteligência que motivaram a ação. Os investigadores querem saber quem forneceu ou divulgou as informações que sustentaram a operação e qual o interesse por trás de tal divulgação.
A PF também apura a eventual prática do crime de comunicação falsa de crime. Além disso, a investigação segue examinando possíveis crimes ambientais relacionados à carga de madeira e outros delitos que possam surgir durante as diligências.
A abertura desta nova etapa não significa que a Polícia Federal tenha descartado outras hipóteses criminais. O foco atual é esclarecer o que efetivamente ocorreu com a carga e por que a suspeita mobilizou diversas autoridades nacionais e estrangeiras.
