Polícia apura se integrante do PCC ordenou ataque contra tenente da Rota de dentro de presídio
Denúncia aponta que ordem para atentado contra oficial da Polícia Militar partiu de detento no CDP IV de Pinheiros
Por Redação Diário Local
A Polícia Civil de São Paulo investiga uma denúncia de que a ordem para o atentado contra o tenente Ronickson Pimentel dos Santos, da Rondas Ostensivas Tobias de Aguiar (Rota), teria partido de um integrante do Primeiro Comando da Capital (PCC) que está preso no sistema carcerário. Segundo relatos encaminhados ao Disque Denúncia (181), o suposto mandante estaria detido no Centro de Detenção Provisória (CDP) IV de Pinheiros, na zona oeste da capital, e teria transmitido as ordens por meio de pessoas que operam fora da unidade prisional.
A Polícia Militar confirmou que o homem apontado na denúncia estava preso preventivamente na unidade de Pinheiros desde setembro de 2025. O relato recebido pelas forças de segurança indica que a articulação do crime envolveria ligações com a cúpula da facção criminosa e teria contado com apoio financeiro e operacional de comparsas para a montagem da emboscada.
O atentado contra o oficial ocorreu na sexta-feira (27), em São Caetano do Sul, enquanto ele aguardava a abertura de um semáforo na Avenida Goiás. O tenente, que estava fora de serviço e sem farda no momento, foi alvo de disparos efetuados por um homem em uma motocicleta. Após o ataque, o policial foi internado em estado grave.
O Departamento Estadual de Homicídios e de Proteção à Pessoa (DHPP) classifica o caso como uma "empreitada criminosa complexa". De acordo com as investigações, houve uma divisão de funções entre os participantes: dois homens foram encarregados de efetuar os disparos, enquanto outros suspeitos atuaram na logística de apoio e na facilitação da fuga.
Outros relatos recebidos pelo canal 181 indicam que a articulação do crime pode ter envolvido lideranças criminosas da zona leste e da favela de Heliópolis, na zona sul da capital. A Polícia Civil apura se a motivação do ataque foi uma ordem direta da organização criminosa vinda de dentro da cadeia.
Um dos envolvidos, apontado como piloto da motocicleta usada na ação, foi morto em uma suposta troca de tiros com policiais da Rota. A morte de Marcelo de Jesus Dias, conhecido como Nego Zum, é vista pelos investigadores como um fato que pode ter dificultado a elucidação da autoria intelectual do crime, já que ele era considerado uma peça-chave para entender quem ordenou o ataque.
O principal suspeito de ter efetuado os disparos, Hércules da Costa Siqueira, conhecido como Golias, permanece foragido. A Secretaria da Segurança Pública (SSP) de São Paulo oferece uma recompensa de R$ 50 mil por informações que levem ao paradeiro do investigado, que também teve o nome incluído na Difusão Vermelha da Interpol.
O integrante do PCC suspeito de comandar o ataque também é alvo de processos por organização criminosa e lavagem de dinheiro. Segundo o Ministério Público de Pernambuco (MPPE), ele é acusado de movimentar mais de R$ 30 milhões entre 2021 e 2024 e de atuar como fornecedor de drogas para outras organizações criminosas.
