Polícia Civil investiga policial penal por introduzir drogas e celulares em presídios do Rio
Operação da Polícia Civil busca desarticular organização criminosa que usava estrutura do Estado para abastecer facções em unidades prisionais.
Por Redação Diário Local
A Polícia Civil do Rio de Janeiro deflagrou, na manhã desta segunda-feira (3), uma operação para desarticular uma organização criminosa suspeita de introduzir drogas, celulares e acessórios no sistema prisional fluminense. A ação busca interromper um esquema que utilizava a estrutura do Estado para abastecer presos de facções criminosas.
As investigações apontam o policial penal Wagner Jardim Dias como o principal alvo do grupo. Segundo a Polícia Civil, ele seria o responsável por viabilizar a entrada dos materiais ilícitos nas unidades prisionais. Até o momento, três pessoas foram presas durante as diligências.
A operação é coordenada pela Delegacia de Repressão às Ações Criminosas Organizadas e Inquéritos Especiais (Draco-IE), com suporte da Subsecretaria de Inteligência da Polícia Penal (SIPP). A Justiça expediu quatro mandados de prisão temporária e dez de busca e apreensão para o cumprimento da ação.
Como o esquema funcionava?
De acordo com a Polícia Civil, o grupo criminoso era estruturado e apresentava uma divisão clara de funções. Para operacionalizar o transporte dos itens proibidos, a organização contava com o apoio de colaboradores externos e de visitantes devidamente cadastradas.
A investigação teve início após uma tentativa frustrada de introduzir uma grande quantidade de drogas e dispositivos eletrônicos em uma unidade prisional. O episódio serviu de ponto de partida para que os agentes analisassem imagens de câmeras de segurança e realizassem diligências de campo.
Além do monitoramento visual, os investigadores cruzaram informações e examinaram movimentações financeiras para reconstruir a dinâmica das atividades ilícitas. O trabalho conjunto permitiu identificar a rede de envolvidos e o modo como os materiais chegavam aos detentos.
Movimentações financeiras
Um Relatório de Inteligência Financeira foi fundamental para o avanço do caso, ao apontar movimentações incompatíveis com a renda declarada do policial penal investigado. Os dados indicam que Wagner Jardim Dias recebeu R$ 259.600,14 em transferências bancárias sem justificativa econômica aparente em um curto período.
Além desses valores, as autoridades identificaram outras operações financeiras consideradas relevantes para o inquérito. Com base nesses elementos, a 1ª Vara das Garantias da Capital autorizou as medidas cautelares de prisão e busca e apreensão que fundamentam a operação atual.
