Luiz Carlos Barreto deixa o jornalismo após agressão e prisão na Cinelândia em 1964
Repórter da revista O Cruzeiro encerrou trajetória após ter câmera arrancada e sofrer violência durante cobertura política no Rio de Janeiro
Por Redação Diário Local
O fotojornalista Luiz Carlos Barreto encerrou sua trajetória no jornalismo de rua após sofrer agressões e ter seu equipamento de trabalho retirado à força durante coberturas de eventos políticos no Rio de Janeiro, em 1964. O profissional, que atuava pela revista O Cruzeiro, decidiu abandonar a atividade de campo após episódios de violência cometidos por agentes durante o período de tensão política no país.
Um dos episódios de repressão ocorreu durante os acontecimentos na Cinelândia, no Rio de Janeiro. Na ocasião, Barreto registrou o momento em que um oficial efetuou um disparo contra um rapaz. Logo em seguida, policiais e militares avançaram contra os profissionais que realizavam os registros, resultando na retirada de sua câmera e na prisão do repórter.
O desfecho definitivo de sua carreira jornalística aconteceu durante a visita oficial do presidente francês, Charles de Gaulle, ao Brasil. Ao tentar buscar um melhor enquadramento para fotografar o líder francês ao lado do presidente Castelo Branco, Barreto ultrapassou a linha de segurança estabelecida.
O repórter foi contido por quatro soldados, que o lançaram violentamente contra um canteiro na Cinelândia. Após a agressão e a perda do equipamento, Barreto concluiu que o exercício do jornalismo de rua não era mais possível nas condições impostas pela realidade do país naquele momento.
Transição para o cinema
Após o ocorrido, Barreto encaminhou os filmes capturados para a redação da revista O Cruzeiro e não retornou ao trabalho de repórter. Embora não tenha ocorrido um pedido de demissão formal ou uma reunião de despedida, o profissional permaneceu registrado em sua carteira profissional como integrante da publicação por um longo período.
Com a saída do jornalismo de campo, o fotojornalista redirecionou sua atuação para o setor cinematográfico. Ele participou ativamente da construção de momentos importantes da produção nacional, acompanhando movimentos como o Cinema Novo e atravessando fases como a retomada do cinema brasileiro.
Ao longo de sua carreira na reportagem, entre as décadas de 1950 e 1960, Barreto cobriu eventos de escala global, como a Copa do Mundo de 1958 e a inauguração de Brasília. Sua produção incluiu desde coberturas esportivas e políticas até reportagens sobre figuras como Pelé, Charles de Gaulle e a vida cultural na Europa.
O profissional também se destacou pela versatilidade, registrando desde o cotidiano de trabalhadores e sertanejos até grandes chefes de Estado. Mesmo ao migrar para o cinema, Barreto manteve o olhar documental desenvolvido durante os quase 15 anos de atuação nas redações e nas ruas.
