Estudo aponta que polícias estaduais ignoram ou negam 71% dos pedidos de informação sobre armas
Pesquisa indica que a maioria das solicitações de dados sobre armas de fogo não é respondida pelas polícias dos estados brasileiros.
Por Redação Diário Local
Um levantamento indica que 71% dos pedidos de informação sobre armas de fogo feitos às polícias dos estados brasileiros são ignorados ou negados. A dificuldade de acesso aos dados compromete o controle de armamentos e o entendimento do fluxo de materiais entre os mercados legal e ilegal no país.
A barreira no compartilhamento dessas informações ocorre em uma etapa considerada crucial para o combate ao crime. Sem o acesso facilitado, o rastreamento de armas e munições torna-se um desafio para as autoridades de segurança pública e órgãos de controle.
Para tentar contornar essas limitações, as forças de segurança utilizam tecnologias de rastreamento técnico. Marcações presentes nos cartuchos permitem identificar o fabricante, o lote e o ano de fabricação da munição, o que ajuda a localizar a origem de disparos em locais de crime.
Outra ferramenta utilizada é o chamado 'banco de DNA' das balas. O sistema de identificação tecnológica tem sido aplicado para subsidiar processos investigativos e, atualmente, já auxilia a polícia em cerca de 9 mil investigações em andamento.
O impacto das armas na violência nacional
A necessidade de maior controle de armas reflete o cenário de violência no Brasil. Dados do Atlas da Violência mostram que, em 2024, sete em cada dez homicídios cometidos no país foram realizados com o uso de armas de fogo.
O relatório também evidencia o perfil das vítimas da criminalidade brasileira. Segundo o Atlas da Violência, 77% das pessoas mortas por homicídio no Brasil são negras, apontando uma forte disparidade racial nos índices de letalidade.
O debate sobre o controle de armamentos também passa pela investigação do caminho percorrido pelas munições. Pesquisas recentes apontam que itens comprados pelo Exército Brasileiro foram encontrados em apreensões relacionadas a facções criminosas, como o Comando Vermelho.
Especialistas em segurança pública reforçam que o combate ao crime depende da limpeza das instituições do Estado. A falta de transparência nos dados das polícias estaduais é apontada como um dos obstáculos para o fortalecimento das investigações e da ordem pública.
