Professor denuncia demissão por intolerância religiosa em colégio de Belo Horizonte
Docente de inglês afirma ter recebido pressão para mudar vestimenta e enfrentou episódios de preconceito de alunos; Ministério Público de Minas Gerais abriu procedimento para investigar as denúncias.
Por Diário Local
O Ministério Público de Minas Gerais abriu um procedimento para investigar denúncias de intolerância religiosa feitas por um professor de inglês contra um colégio particular de Belo Horizonte. O docente, de 29 anos, afirma ter sido demitido por motivos religiosos após trabalhar na instituição localizada na região de Venda Nova.
Durante uma reunião em 13 de abril, coordenadores pedagógicos teriam justificado o desligamento afirmando que "o país de onde você veio, sua raça ou origem não condizem com os princípios da escola". No dia seguinte, o professor recebeu um telegrama em sua residência oficializando a demissão.
De acordo com o docente, os episódios de discriminação começaram antes da demissão. Em 12 de fevereiro, ele teria sido orientado a não usar roupas pretas para evitar associação com sua religião islâmica. O professor enfatiza que essa vestimenta faz parte de uma tradição cultural enraizada em várias regiões do mundo árabe, simbolizando sobriedade e respeito em muitos países do Golfo.
Relatos de preconceito em sala de aula
O professor lecionava para turmas do 8º ano do ensino fundamental ao 3º ano do ensino médio, com alunos entre 14 e 19 anos. Segundo ele, as conversas sobre sua religião começaram por curiosidade dos estudantes, que perguntavam como era ser muçulmano e se havia mesquita em Belo Horizonte.
No entanto, o docente relata que a curiosidade deu lugar a episódios de preconceito. Ele afirma ter sido chamado de "terrorista" e comparado a "Osama Bin Laden", ex-líder da organização terrorista Al-Qaeda. Um estudante teria o cumprimentado com a expressão "Aleikum salame", uma referência à saudação árabe "As-salamu alaikum", que significa "a paz esteja com você", porém em tom de deboche, na frente de coordenadores pedagógicos, sem que a atitude fosse reprovada pela escola.
Busca por justiça
Diante dos episódios relatados, o professor decidiu recorrer à Justiça e tornar o caso público. Ele afirma que a decisão de expor os fatos visa chamar a atenção para a necessidade de combater a intolerância religiosa e promover uma cultura de respeito às diferenças.
A reportagem procurou o colégio para comentar as denúncias, mas não recebeu resposta até a publicação do texto. O espaço permanece aberto para manifestação da instituição.
