Ribeirão Preto tem taxa de mortes violentas superior à da capital paulista
Município ocupa a quinta posição no ranking de cidades paulistas com mais de 300 mil habitantes em índices de criminalidade.
Por Redação Diário Local
Ribeirão Preto (SP) ocupa a quinta posição no ranking de mortes violentas entre as cidades paulistas com mais de 300 mil habitantes, segundo o Anuário Brasileiro de Segurança Pública. O município registrou uma taxa de 7,9 mortes por 100 mil habitantes, índice que supera o da capital paulista, que apresenta 7,2.
O levantamento foi elaborado pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FBSP). Com o índice de 7,9, a cidade aparece à frente de São Bernardo do Campo (SP), que registrou uma taxa de 7,6 no mesmo período.
O anuário classifica as mortes violentas como aquelas ocorridas de maneira intencional. A categoria abrange homicídios dolosos, feminicídios, latrocínios (roubos seguidos de morte), lesões corporais seguidas de morte e mortes cometidas por policiais.
No ranking dos municípios paulistas com população acima de 300 mil habitantes, as maiores taxas de criminalidade são registradas em Bauru (12,2), Campinas (11,0), Suzano (10,9) e Sorocaba (10,2).
Especialistas apontam que a atuação do crime organizado é um dos fatores que impactam os números em Ribeirão Preto. Segundo o advogado Jean Alves, cidades que possuem uma estrutura de criminalidade consolidada há décadas tendem a apresentar índices de mortes mais elevados.
A estrutura das forças de segurança também é citada como ponto de atenção. Para o advogado, o déficit de investimentos na área contribui para a ineficácia tanto no patrulhamento ostensivo quanto na investigação e no esclarecimento dos crimes.
O perfil das ocorrências violentas na região também mudou nos últimos anos. De acordo com o promotor de Justiça Marcus Túlio Nicolino, o aumento que antes era impulsionado por disputas por pontos de tráfico de drogas deu lugar a um crescimento expressivo no número de feminicídios.
O promotor destaca que o avanço no combate ao feminicídio é um desafio social e jurídico. Segundo ele, o fenômeno reflete uma visão de posse sobre a mulher que ainda persiste em parte da sociedade contemporânea.
