Diário Local
Legado Olímpico

Rio dez anos após Olimpíadas enfrenta gargalos na mobilidade e insegurança persiste

Expansão do metrô e das vias não acompanhou o crescimento da Barra, enquanto políticas de segurança pública enfrentam desafios de continuidade

Por Redação Diário Local

Dez anos após a realização dos Jogos Olímpicos, o Rio de Janeiro ainda enfrenta desafios estruturais em dois pilares centrais do legado prometido: a mobilidade urbana e a segurança pública. Enquanto a rede de transporte avançou com a Linha 4 do metrô e o VLT, a expansão do sistema e o controle da criminalidade seguem com lacunas importantes.

Na mobilidade, o crescimento das zonas Oeste e Sudoeste tem gerado pressões no trânsito. Mesmo em vias como as avenidas Carlos Carvalho, Embaixador Abelardo Bueno e Salvador Allende, localizadas próximas ao Parque Olímpico, ocorrem congestionamentos nos horários de pico. Em resposta, a prefeitura realiza obras de reorganização do trânsito na Barra, com previsão de entrega de uma nova rótula até novembro.

O sistema de transporte por ônibus também registra avanços tardios. A promessa de frota totalmente climatizada, prevista para 2016, foi parcialmente cumprida: em julho, o índice de coletivos com ar-condicionado atingiu 99,2%. Contudo, planos para racionalizar as linhas de ônibus seguem suspensos, com expectativa de retomada por meio de novas concessões até 2028.

O que falta na mobilidade urbana?

Especialistas apontam que o investimento em novas vias não acompanhou a velocidade de expansão da Barra da Tijuca. Delair Dumbrosck, presidente da Câmara Comunitária da Barra, afirma que há necessidade de concluir projetos previstos no Plano Lucio Costa para atender o crescimento regional.

Outro gargalo mencionado por técnicos é a conexão incompleta entre as estações Carioca e Estácio do metrô. Segundo Licínio Rogério, coordenador do Fórum de Mobilidade Urbana, a conclusão dessa ligação é um passo essencial antes de qualquer nova expansão da rede para facilitar o deslocamento dos moradores.

As obras da estação de metrô da Gávea, que ficaram interrompidas por quase uma década, foram retomadas no ano passado. A previsão de inauguração é para 2028, mas o trecho será conectado apenas à estação de São Conrado.

Como está a segurança pública no Rio?

O programa das Unidades de Polícia Pacificadora (UPPs), que foi o argumento central para a conquista da sede olímpica, enfrenta dificuldades de manutenção. O ex-secretário de Segurança Pública José Mariano Beltrame observa que o projeto, que inicialmente teve bons resultados, acabou se expandindo de maneira desordenada e sofreu com a falta de recursos.

A segurança pública também tem sido marcada por operações de grande escala. Em outubro do ano passado, uma operação realizada nos complexos do Alemão e da Penha resultou em 121 mortes, incluindo quatro policiais. O cenário de violência reflete a dificuldade do Estado em manter o controle territorial e o planejamento de operações eficientes.

Investigações recentes também ligaram políticos a grupos criminosos e trouxeram novos desdobramentos sobre casos de repercussão, como o assassinato da vereadora Marielle Franco, envolvendo a condenação de membros da família Brazão.

Produzido pela redação do Diário Local com apoio de automação editorial, sob curadoria e revisão de Davy Albuquerque, editor responsável.