Estelionato supera roubos de rua em 2,6 vezes no estado do Rio, aponta estudo da Firjan
Levantamento da Firjan mostra que registros de estelionato cresceram 297% em dez anos, enquanto roubos de rua recuaram 36%.
Por Redação Diário Local
Os casos de estelionato no estado do Rio de Janeiro superaram os registros de roubo de rua em 2,6 vezes, segundo o estudo Panorama da Segurança Pública, divulgado pela Federação das Indústrias do Estado do Rio de Janeiro (Firjan) nesta quarta-feira (5).
O levantamento aponta uma inversão no perfil da criminalidade ao longo da última década. Em 2015, o estelionato correspondia a menos da metade das ocorrências de roubo de rua; em 2025, o número de fraudes passou a ser muito superior aos crimes de violência direta no espaço público.
Em 2025, foram contabilizados 146.981 casos de estelionato no estado, o que equivale a uma taxa de 853,4 ocorrências para cada 100 mil habitantes. O índice representa um crescimento de 297% em relação ao ano de 2015, quando foram registrados 35.595 casos.
Por que o estelionato cresceu tanto?
Segundo a Firjan, o avanço dos crimes praticados por meios digitais e fraudes é o principal motor dessa mudança. Enquanto crimes que dependem de presença física e exposição no espaço público perderam intensidade na maior parte do território, o estelionato cresceu em todas as regiões do estado.
O relatório destaca que o estado do Rio avança no estelionato em um ritmo superior à média nacional. A federação ressalta ainda que o Rio faz parte de um grupo de estados, junto com São Paulo e Ceará, que não realizam a separação nas estatísticas oficiais dos casos de estelionato praticados especificamente por meios eletrônicos.
Essa ausência de dados segregados, segundo a entidade, dificulta a análise precisa sobre o peso exato das fraudes digitais nos indicadores de criminalidade do estado.
Onde o crime cresceu mais rápido?
O crescimento do estelionato no Rio de Janeiro não ocorreu de forma equilibrada. A Capital, que concentra metade dos registros estaduais, registrou o ritmo de aumento mais lento entre as regiões.
Por outro lado, as regiões Centro-Sul Fluminense, Centro-Norte Fluminense e Serrana apresentaram saltos expressivos, com aumentos que podem chegar a 709%. A federação nota que as áreas menos urbanizadas foram as que tiveram o crescimento mais acelerado.
O cenário indica que o risco de golpes deixou de ser um fenômeno concentrado na metrópole e passou a crescer de forma rápida em locais onde a infraestrutura de segurança costuma ser voltada ao combate da violência de rua, tendo menos experiência com fraudes.
A queda nos roubos de rua
Em sentido oposto, o roubo de rua apresentou retração. Em 2025, o estado registrou 56.865 casos, uma taxa 36% menor do que a observada em 2015, quando o número era de 85.280 registros.
O estudo aponta que, embora a queda seja generalizada, existe uma concentração territorial no crime de roubo. Atualmente, a Capital, a Baixada Fluminense (Caxias e Região), Nova Iguaçu e Região, e o Leste Fluminense respondem por 99% de todos os registros de roubo de rua no estado.
