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Segurança

Sargento é condenado por tortura e peculato após câmeras registrarem desaparecimento de drogas

Imagens de câmeras corporais mostraram militares comemorando achado de entorpecentes que sumiram antes da apreensão oficial

Por Redação Diário Local

O Tribunal de Justiça Militar condenou um sargento da Polícia Militar a 12 anos e cinco meses de prisão por crimes de tortura, abuso de autoridade, fraude processual e peculato. A decisão foi baseada em imagens de câmeras corporais que registraram a comemoração de policiais após a localização de drogas em uma operação na zona leste de São Paulo, material que desapareceu antes de ser apresentado oficialmente.

As gravações mostram que, após a abordagem de dois adolescentes, os agentes entraram em diversos imóveis de uma comunidade sem mandado judicial. Durante a incursão, foram encontrados galões, pacotes prensados e centenas de eppendorfs (pequenos recipientes usados para armazenar cocaína).

As imagens registram o momento em que um cabo e o sargento comemoram o achado. Os vídeos mostram parte dos pacotes sendo colocados em uma caixa, enquanto o restante é guardado em uma mochila e em um saco preto para ser levado até a viatura do militar.

De acordo com a investigação da Corregedoria da Polícia Militar, os entorpecentes nunca foram apresentados como apreensão oficial. Em sua defesa, o sargento alegou que o material encontrado era lixo e que teria sido descartado para causar prejuízo ao tráfico, mas a versão foi rejeitada pela Justiça Militar.

A promotora de Justiça, Giovana Ortolano, afirmou que a tese de descarte de lixo era inverossímil, destacando que os policiais comemoraram a localização do material. A condenação por fraude processual foi atribuída à obstrução da câmera corporal, e o peculato ao desaparecimento das drogas.

Registros de tortura e prática de roleta-russa

Além do desvio de material, as câmeras corporais revelaram cenas de agressões físicas contra adolescentes. Os vídeos registram um momento em que o sargento realizou uma prática de "roleta-russa", colocando uma munição em um revólver, girando o tambor e acionando o gatilho contra a cabeça de um dos jovens.

Além do sargento, outro policial militar também foi condenado por tortura e abuso de autoridade. O processo ainda segue em tramitação para outros agentes envolvidos no caso: um terceiro policial e outros seis militares respondem ao processo e aguardam julgamento.

Debate sobre o uso de câmeras corporais

O episódio reacendeu o debate sobre o modelo de câmeras corporais utilizado pela Polícia Militar de São Paulo. As imagens em questão foram registradas pelo sistema antigo, que funcionava com gravação contínua em modo de rotina.

No modelo de tecnologia atual, a gravação depende, em regra, do acionamento manual pelo próprio policial ou por meio de ativação remota. Especialistas alertam que essa mudança de padrão poderia dificultar o registro de situações de violência como as apresentadas no caso.

Produzido pela redação do Diário Local com apoio de automação editorial, sob curadoria e revisão de Davy Albuquerque, editor responsável.