Sargento investigado por morte de capitã da PM tinha histórico de violência contra mulher, diz polícia
Polícia Civil aponta que o militar Eduardo Abner Pereira de Oliveira possuía registros de agressão e ameaça contra ex-companheira em 2014 e 2016.
Por Davy Albuquerque
O sargento da Polícia Militar Eduardo Abner Pereira de Oliveira, preso por suspeita de envolvimento na morte da esposa, a capitã Michele Leão Azevedo, possuía registros de violência contra mulher registrados em 2014 e 2016, informou a Polícia Civil. O caso ocorreu em Belo Horizonte e a oficial chegou sem vida ao hospital na última segunda-feira (20).
A capitã foi levada ao Hospital Odilon Behrens com sinais de traumatismo craniano e múltiplos ferimentos. Imagens de câmeras de segurança do prédio onde o casal residia mostraram o sargento carregando o corpo da vítima nos ombros até a garagem e, em seguida, colocando-a dentro de um veículo para seguir ao atendimento médico.
De acordo com documentos da polícia, o militar já havia sido alvo de denúncias de agressão por parte de uma ex-companheira. Em um boletim de ocorrência de março de 2016, a mulher relatou ter sido puxada pelos cabelos, arrastada até a rua e atingida com um soco no rosto durante uma discussão.
A mesma vítima também registrou uma ocorrência em setembro de 2016, denunciando o descumprimento de uma medida protetiva concedida pela Justiça. Na ocasião, ela afirmou ter recebido mensagens com ameaças enviadas por Eduardo Abner por meio de um aplicativo de conversas, direcionadas a ela e a familiares.
Quais foram as lesões identificadas?
A equipe médica que recebeu a oficial no hospital identificou diversas lesões no corpo de Michele. Além do traumatismo craniano, foram constatados ferimentos nas pernas, hematomas, um corte de grandes proporções na cabeça e marcas lineares que são compatíveis com chicotadas.
Em depoimento prestado à polícia, o sargento afirmou que o casal consumiu bebidas alcoólicas e comprimidos de ecstasy durante uma confraternização na residência. Segundo ele, as agressões físicas teriam ocorrido durante relações sexuais consensuais, envolvendo práticas de dominação.
O militar declarou ainda que a esposa teria sofrido uma queda da escada da casa horas antes do óbito e que ela teria recusado atendimento médico após o acidente. A versão apresentada pelo sargento busca justificar as lesões encontradas pela equipe de saúde.
O que diz a família
A mãe da capitã relatou aos investigadores que considerava o relacionamento da filha abusivo. Segundo o depoimento, a relação era marcada por um comportamento de controle psicológico por parte do militar.
A Polícia Civil segue com as investigações para apurar as circunstâncias da morte de Michele Leão Azevedo e a responsabilidade de Eduardo Abner Pereira de Oliveira no caso.
